03/05/2017 16:59:00
Nada nos tira o doce sabor da nossa cachaça



Quem está ligado no que acontece no cenário mundial em respeito à profissão que exercemos, ou seja, o jornalismo, sabe muito bem que o Brasil é um dos países mais violentos da América Latina para a prática da profissão. De acordo com o último relatório da ONG Repórteres Sem Fronteiras, divulgado em abril deste ano, amargamos a 103a  posição do ranking mundial da liberdade de imprensa.

Mas o que é a liberdade de imprensa? Militando na área a minha vida profissional inteira – e costumo dizer que sou jornalista até quando durmo – a liberdade de imprensa é para nós, jornalistas, o que a liberdade de expressão significa a um artista, o que uma musa equivale a um compositor, o valor que o ar tem ao ser humano, ou o sabor que a cachaça possui ao ser sorvida pelo boêmio que canta à luz da lua.

Não existem formas para exercer a profissão sem a ampla e irrestrita liberdade em fazê-lo. Não há revolta maior do que quando somos impedidos de desempenhar a nossa função, principalmente, quando ele vem permeada de responsabilidade social. Não adianta tentar impedir que um jornalista, de fato e de direito, cale a sua voz. Isso ele não fará nunca, por mais cruel que sejam os meios utilizados para tentar impedi-lo. Nenhum mentira, nenhuma artimanha, nenhum jogo espúrio se sobrepõe à verdade. E é com esse dever que atendemos a sociedade noticiando, informando.

Recebi como presente, e compartilho com a equipe da RedeSul de Notícias e com todos os colegas de profissão, a afirmação feita pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, neste 03 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

“Precisamos que líderes defendam a imprensa livre. Quando protegemos jornalistas, suas palavras e imagens podem mudar o mundo”, afirmou. Guterres disse ainda que uma imprensa livre permite avançar na promoção da paz e da justiça para todos.

As palavras de Guterres foram completadas pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Cármen Lúcia, que anunciou hoje (3) a instalação da comissão do Fórum Nacional do Poder Judiciário e Liberdade de Imprensa, do CNJ. Segundo ela, hoje, o Brasil não é um país que garante livremente o exercício do jornalismo, entretanto, ao menos no Poder Judiciário, é preciso dar ampla eficácia à Constituição, que garante o trabalho do jornalista de informar o cidadão e promover uma cidadania informada.

“E eu quero apurar isso melhor, para saber quais são os problemas que são gerados com a Constituição que garante tão amplamente liberdades, inclusive a liberdade de imprensa, com um texto que não necessita de grande intervenção para ser interpretado. É proibido qualquer tipo de censura e, no entanto, continua haver censura e jornalistas que não podem exercer os seus diretos. É preciso resolver isso”, disse.

Para ela, o Brasil está vivendo um momento de grandes transformações, e não só no jornalismo, mas “a imprensa livre é essencial para que se tenha democracia. E é exatamente em um Estado democrático que queremos viver”..”

A ministra lembrou ainda que a liberdade de expressão e de imprensa são cláusulas pétreas da Constituição, que não podem ser modificadas, pois desempenham um papel essencial para a democracia. “A democracia vive porque as liberdades são exercidas.” Que assim seja!

Sobre o Autor

Cristina Esteche é jornalista, publicitária e fundadora da Rede Sul de Notícias.