04/04/2017 15:58:00

MEMÓRIA
Cazuza, o ídolo de vida louca e breve, faria 59 anos nesta terça
Quase 30 anos depois de sua morte, sua obra continua se perpertuando


(Foto: Arquivo)


Com Jornal Extra, do Rio de Janeiro

De fato​,​ “o tempo não para”​,​ e se o poeta estivesse vivo, nesta terça (04) completaria 59 anos. Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, “não morreu”. Sua obra segue se perpetuando com seus “moinhos de vento”. O garoto de Ipanema, exagerado, boêmio do Baixo Leblon, que já foi chamado de “ladrão, de bicha, maconheiro”​,​ quebrou tabus, virou grito de liberdade, cantou o amor...

Em 1981, Cazuza integrou o Barão Vermelho. No ano seguinte, o grupo gravou em dois dias o primeiro álbum. O som fez barulho na classe artística. Caetano Veloso foi o primeiro a se render e passou a cantar “Todo Amor que Houver Nessa Vida” em seus shows. Na sequência, veio o “Barão Vermelho 2” com o hit “Pro Dia Nascer Feliz”, gravado por Ney Matogrosso, namorado de Cazuza na época. O álbum “Maior Abandonado” se destacou com a canção “Bete Balanço”, o último da parceria com o Barão. Em novembro de 1985, lançou​-se​ em carreira solo. Vieram os clássicos “Exagerado” e “Codinome Beija-flor”. A partir daí​,​ o cenário pop nacional não seria mais o mesmo. Cazuza estourou.

Dois anos depois, o cantor foi internado com pneumonia e um novo teste confirmava o vírus HIV. De uma clínica da Zona Sul do Rio, foi levado pelos pais aos Estados Unidos, onde fez tratamento ​à base de AZT por quase dois meses, no New England Hospital de Boston. Voltou e gravou “Ideologia” no início de 1988. A essa altura​,​ já era um dos maiores fenômenos da música brasile​i​ra. O disco vendeu meio milhão de cópias.

Somado a isso​ tudo​, teve uma voz potente na luta contra a A​ids, já que em fevereiro de 1989 declarou publicamente que era soropositivo. De cadeira de rodas, buscou pessoalmente as estatuetas de melhor canção para “Brasil” e melhor álbum para “Ideologia”, no Prêmio Sharp. Mesmo debilitado, fez turnê com o lendário show "O ​Tempo ​Não ​Para", dirigido por Ney Matogrosso, e seu último disco foi “Burguesia”. Cazuza não resistiu à doença. Na manhã de 7 de julho de 1990, morreu, aos 32 anos.

Se nos anos 80 o poeta já estava “cansado de tanta babaquice, caretice, dessa eterna falta do que falar...”, imagina o que diria esse pré-sessentão hoje!

De vida louca, breve, imensa... Cazuza é imortal. Bora relembrar?



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