10/04/2017 11:14:00

MOBILIZAÇÃO
Holandeses de mãos dadas contra a homofobia


Lex Van Lieshout/EFE


Com The HuffingtonPost Brasil

O caso do casal gay que foi agredido nas ruas de Arnhem, na Holanda, apenas porque estava andando de mãos dadas mostrou para o mundo, na última semana, uma dor crescente na Holanda: O país mais gay da Europa não é mais tão gay assim.

Primeiro a legalizar o casamento gay no velho continente, com cerimônias em 2001, a Holanda tem assistindo as estatísticas de crimes contra a população LGBT crescer com rapidez.

Dados do COC Netherlands, entidade fundada em 1946 de promoção dos direitos LGBT, apontam que as denúncias de violência quadruplicaram em seis anos. Aumentaram de 400 em 2009 para 1,6 mil em 2015. Do total, a entidade ressalta que apenas nove casos resultaram em condenações.

Neste cenário de crescentes atentados à comunidade LGBT soa como natural a declaração de Roonie Sewratan-Vernes, de 31 anos, de que ele e o marido, que foram atacados, só estavam de mãos dadas porque achavam que estavam sozinhos.

Segundo ele, não é hábito do casal andar de mãos dadas em público por medo de provocar ataques. Eles foram agredidos por cerca de oito jovens. "Nossa bela noite se tornou um pesadelo", relatou Jasper Vernes Sweartan, de 35 anos, no Facebook.

Na opinião dele, é incompreensível que esse tipo de violência ainda ocorra em 2017. Mais de dois séculos antes, em 1811, a Holanda tirou a homossexualidade do código penal.

O caso gerou enorme repercussão e homens holandeses (heterossexuais) ao redor do mundo passaram a andar de mãos dadas em solidariedade ao casal e contra a homofobia.

 

 

 

 

A imagem mais marcante (a principal desta matéria) é a que traz o líder do partido Democrats 66, Alexander Pechtold, de mãos dadas com o consultor financeiro do partido, Wouter Koolmees, chegando de mãos dadas para um reunião de governo. 

Segundo Arold Dingemans, da organização Gay Horeca Arnhem, já há resultados para o protesto praticamente simbólico do ato de andar de mãos dadas. Segundo ele, a propagação do ato mostra que "estamos vivos" e que os direitos são tão naturais quanto o de qualquer outro holandês.

Além do protesto, os políticos holandeses prometeram agir contra a homofobia. O primeiro-ministro Mark Rutte condenou o ataque e acrescentou que o combate à homofobia terá prioridade na sua gestão.

Integrantes da COC Netherlands pediram ao governo investimentos em educação e mais rigor na punição do agressor.

No ano passado, reportagem do DutchReview já alertava para o retorno da homofobia nas ruas da Holanda. Entre os casos relatados, há a distribuição de flyers anti-gays. Os panfletos pediam para muçulmanos, cristãos e judeus se unirem contra os homossexuais.

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