18/04/2017 16:35:00

REFLEXÕES
Quando a massa fecal vai pra cabeça



(i)

No Brasil, com uma frequência indesejável, confunde-se o glamour da vida literária e o status da vida acadêmica, com o amor, a literatura e a procura sincera e abnegada pela verdade. Simplificando muito mais do que devíamos: aqui, nessas terras, carreirismo oco é sinônimo de realização de uma vocação.

(ii)

Pra que serve a literatura? Em princípio, para entendermos o quão idiota é esse tipo de pergunta tão soberba e frequentemente feita num mundo que se ufana de sua bárbara idiotia.

(iii)

Numa sociedade onde o desamor ao conhecimento e a devoção idolátrica aos títulos bacharelescos é a regra geral, qualquer discurso que aponte para a educação como sendo a solução de todos os padecimentos sofridos pela nacionalidade, será, na maioria das vezes, apenas um simulacro de inquietação [depre]cívica bem vagabundo, haja vista que, a educação, definitivamente é uma joça praticamente ignorada por todos, principalmente por aqueles que vivem dando pitaco sobre como ela deveria ser, sem, ao menos, ter empreendido algum esforço sincero, por mínimo que seja, na direção da edificação da sua própria.

(iv)

Não queira ser respeitado por todos provocando escândalos, dando um chilique aqui e outro acolá, como se tudo e todos devessem tratá-lo assim ou assado, com uma deferência digna apenas de pessoas altamente aquilatadas.

Também não queira que todos fiquem massageando seu ego - já mui mimado - de cidadão criticamente crítico, imaginando que tal exigência egocêntrica e egolátrica seja uma manifestação cristalina de amor. Não queira mesmo. Não mesmo. Tais atitudes são ridículas do princípio ao fim, por mais que a classe falante diga o contrário.

Bem, se por ventura, imaginarmos que esse escrevinhador saquarema está equivocado no que aponta, então imaginemos a seguinte situação: Se um grupo de pessoas que você não nutre o menor sentimento de empatia e simpatia desse um chilique [depre]cívico igualzinho a um grupo de indivíduos que você ama de paixão - que bate o pezinho para ser repeitadinho e amadinho por todos - o que você diria a respeito deles?

Pois é, veja só como são as coisas, não é mesmo?

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Sobre o Autor

Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, escrevinhador por não ter mais o que fazer e bebedor de café resoluto.