21/04/2017 13:31:00

REFLEXÕES
Apenas um chilique (depre)cívico



Existem inúmeras ideias que são profundamente corruptoras da alma humana e, na atualidade, o que mais temos é esse tipo de choldra.

Dentre elas, uma que gostaria de destacar nessas minguadas linhas é a de que a sociedade tem uma dívida para com todos e, uma bem grandona para com alguns de modo particular, que devem ser atendidas e acolhidas na forma dum direito.

O vício dessa ideia está em sua própria enunciação. Dum modo geral, todos nós, uns mais que outros, somos devedores das gerações que nos antecederam e duma multidão de indivíduos que com sua criatividade, genialidade e, nalguns casos, empreendedorismo, tornaram possíveis inúmeras coisas que nós mesmos seriamos incapazes de conceber em nossa empobrecida imaginação (e quem o diga realizá-las). E, mesmo assim, usufruímos de seus frutos.

Quando passamos a refletir sobre esse outro prisma, torna-se praticamente inevitável que cheguemos à conclusão de que, na verdade, devemos muito mais a sociedade que essa a nós.

Não? Bem, então perguntemo-nos em que nós contribuímos para tornar, não a sociedade, mas a vida de algumas pessoas mais confortável? Qual é a nossa contribuição para a elevação da dignidade de nossa gente, daqueles que nos circundam? Melhor! O que temos feito para sermos simplesmente mais dignos, prestativos e bons? O que?

Pois é, mesmo assim acreditamos candidamente que a tal da sociedade nos deve alguma coisa.

Pior. Educar na base dessa ideia viciada e viciosa produz em larga escala uma multidão de ingratos desprovidos do mais raso senso das proporções, de responsabilidade, e incapaz dum mínimo de simpatia. Quem o diga de empatia.

Enfim, a única coisa que pode ser parida tomando por base essa visão distorcida da realidade é uma sociedade podre de mimada que crê, candidamente, que sua putrefação moral é o suprassumo da tal da cidadania. Só isso e olhe lá.

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Sobre o Autor

Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, escrevinhador por não ter mais o que fazer e bebedor de café resoluto.