26/05/2017 23:53:00
Balança, mas cai!

Pois é! Estamos fechando a semana com novos desdobramentos em Brasília. Um deles foi a apreensão feita pela Polícia Federal de comprovantes e anotações de depósitos com a abreviatura “cx2”; uma pasta transparente com cópias de uma agenda do ano passado, registrando agendamento com Joesley Batista, além de folhas impressas com planilhas contendo indicações para cargos federais, apontando remuneração e direcionamento sobre qual partido político o indicado pertence, entre outros documentos. E onde estava tudo isso? No apartamento do senador afastado Aécio Neves.

No gabinete em Brasília, a PF encontrou mais documentos impressos no idioma alemão e que remetem ao doleiro Norbert Muller, especialista em abrir contas no exterior. Para quem? Ora, para políticos. O relatório está no Supremo Tribunal Federal.

Em meio a tudo, o recheio principal teve ingredientes sangrentos que, mais uma vez feriram a democracia. Para conter as manifestações patrocinadas por centrais sindicais e movimentos sociais, o Presidente convocou as Forças Armadas e decretou a Missão de Garantia da Lei e da Ordem. O protesto era contra a reforma da previdência e pelo Fora Temer. O que era para durar até o dia 31 de maio foi revogado pelo próprio presidente. Ele não se sustentou à disparada de críticas à medida, anunciada na tarde de quarta-feira, dia 24.

Apesar de tudo isso, Michel Temer voltou a falar à nação brasileira, na noite de quinta, dia 25. Insistiu na tecla do “Brasil não parou e não vai parar. Continuamos avançando e votando matérias importantíssimas no Congresso Nacional”. Criticou, é claro, as manifestações em Brasília e disse que houve exagero, mas que deputados e senadores continuaram a trabalhar em favor do Brasil e aprovaram número expressivo de medidas provisórias, sete em uma semana”. Ele, Temer, tenta justificar as suas lambanças em Brasília e que a ele dizem respeito, sob a capa vulnerável da suposta melhora da economia. Com a palavra, os economistas.

E nesta sexta, a presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), Maria Silvia Bastos, pediu demissão do cargo alegando "razões pessoais". Será que teremos novo escândalo? Já não sabemos mais quem é quem, pois quem hoje está, amanhã não é mais. A única certeza neste momento é que a cada minuto que passa, Temer perde força e legitimidade.

Sobre o Autor

Cristina Esteche é jornalista, publicitária e fundadora da Rede Sul de Notícias.