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Alep contempla também os saberes relacionados à colheita, as receitas familiares, as festas típicas e a gastronomia que ajuda a preservar a tradição
Cristina EstecheJornalista
3 min de leitura
Pinhão (Foto: Embrapa)
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Com a chegada do Inverno, uma tradição tipicamente paranaense volta a ganhar força nas mesas, feiras e encontros familiares: o consumo do pinhão. Mais do que um alimento sazonal, o fruto da araucária carrega uma história que envolve natureza, cultura e identidade regional. Não por acaso, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou nesta semana o projeto que reconhece o pinhão como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado.
A votação, conforme a pauta, ocorreu justamente no primeiro dia útil após o início do inverno. A estação em que o pinhão se torna protagonista em receitas, festas e eventos espalhados pelo Paraná.
Por trás desse símbolo da culinária paranaense existe um ciclo natural que conecta dois dos maiores ícones do Estado: a araucária e a gralha-azul.
A araucária, árvore símbolo do Paraná, produz as pinhas que abrigam os pinhões. Já a gralha-azul, ave conhecida pelo papel ecológico fundamental, ajuda a espalhar as sementes. Ao esconder os pinhões para consumo futuro, muitas vezes acaba esquecendo parte deles, permitindo que novas árvores germinem e mantenham viva a Floresta com Araucárias.
Esse processo natural atravessa gerações e ajuda a explicar a forte ligação dos paranaenses com o fruto. Antes mesmo da colonização, povos indígenas do Sul do Brasil já utilizavam o pinhão como fonte de alimento.
RECOHECIMENTO DA ALEP
O projeto aprovado na Alep reconhece justamente esse patrimônio cultural construído ao longo do tempo. O texto não contempla apenas o alimento, mas também os saberes relacionados à colheita, as receitas familiares, as festas típicas, os encontros comunitários e as iniciativas gastronômicas que ajudam a preservar a tradição.
Autor da proposta, o deputado estadual Gilberto Ribeiro afirma que o reconhecimento busca valorizar oficialmente um dos principais símbolos da identidade paranaense. De acordo com o deputado, apesar da relevância cultural e econômica do pinhão, o fruto ainda não possuía o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado.
Além do valor histórico e afetivo, o pinhão também movimenta a economia durante o Outono e o Inverno. Agricultores, feirantes, comerciantes e restaurantes encontram no fruto uma importante fonte de renda. Isso ocorre, especialmente, nas Regiões onde a araucária ainda faz parte da paisagem.
Enquanto o projeto segue para nova votação antes da sanção governamental, o reconhecimento reforça a importância de preservar não apenas o pinhão, mas todo o ciclo que o envolve.
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