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Marcelo Leite, prefeito de Guamiranga (Foto: Nossa Gente)
POLÊMICA

Atraso da Prefeitura de Guamiranga mantém alunos sem matrículas

Vice-prefeito Igor Pontarollo, de Guamiranga, cobra de Prudentópolis uma responsabilidade que é do próprio município dele

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
4 min de leitura

Marcelo Leite, prefeito de Guamiranga (Foto: Nossa Gente)

Um impasse entre pais de alunos que vivem em Guamiranga e a administração municipal, expõe a falta de compromisso com o direito básico à educação. De acordo com a polêmica, que também afeta a Secretaria Municipal de Prudentópolis, gira em torno da indefinição sobre o atendimento escolar de crianças que moram em Guamiranga e que tiveram a escola desativada em 2023. A escola atendia alunos das localidades de Barreiro e Mato Queimado. Conforme pais de alunos que estão sendo prejudicados, essa interdição seria por pouco tempo, até que obras estruturais fossem feitas. O que não ocorreu. [caption id="attachment_328402" align="alignnone"]
Escola localizada em Queimadas (Foto: divulgação)Escola localizada em Queimadas (Foto: divulgação)
Escola localizada em Queimadas (Foto: divulgação)[/caption] Para ser parceiro até que a administração de Guamiranga encontrasse uma solução, a Secretaria de Educação de Prudentópolis, aceitou atender os estudantes na Escola Municipal do Campo Ângela Alessi Dal Santos que atende educação infantil e ensino fundamental. A escola compartilha estrutura com a Escola Estadual Santa C de Alexandria. Sediadas na localidade de Queimadas, essa escola fica a cerca de 20 quilômetros de Guamiranga. De acordo com informações, no início deste mês, como oficializou-se a desativação da escola de Guamiranga, Prudentópolis chamou o prefeito Marcelo Leite para um acordo. A escola continuaria atendendo os alunos, desde que houvesse uma cooperação entre os dois municípios. Conforme as tratativas acordadas no gabinete do prefeito Marcelo, Guamiranga assumiria o transporte escolar e cederia dois professores ou professoras adicionais. Uma exigência lógica diante do fato de que cerca de 40% dos estudantes daquela escola são de Guamiranga. De acordo com os trâmites, Prudentópolis cumpriu o que lhe cabia. O prefeito Adelmo Klosowski, em seguida, encaminhou à Câmara e vereadores aprovaram a lei que tratava da parceria. Já, Guamiranga, apenas enviou o projeto de lei à Câmara em 12 de fevereiro. No entanto, até agora não conseguiu aprovar a proposta e formalizar o termo de cooperação.

ALUNOS ESTÃO SEM MATRÍCULAS

O resultado concreto desse atraso é alarmante: os alunos seguem sem matrícula, sem segurança jurídica quanto à vaga e sem garantias claras de transporte e professores, em pleno início do ano letivo. O descaso administrativo reflete-se em prejuízo real à rotina das crianças e das famílias que dependem da educação pública para planejar a rotina diária.

AS CONTRADIÇÕES DO VICE-PREFEITO

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Vice-prefeito Igor Pontarollo, de Guamiranga (Foto: Nossa Gente)Vice-prefeito Igor Pontarollo, de Guamiranga (Foto: Nossa Gente)
Vice-prefeito Igor Pontarollo, de Guamiranga (Foto: Nossa Gente)[/caption] Em meio a esse cenário, o vice‑prefeito de Guamiranga, Igor Pontarollo, publicou vídeo nas redes sociais nessa quinta (19). Em frente à escola de Queimadas, tentou cobrar a administração de Prudentópolis pela falta das matrículas. A gravação, no entanto, revela uma contradição óbvia. Ao mesmo tempo em que ele questiona a efetivação das matrículas, Igor admite que Guamiranga ainda estava apenas começando a apresentar os professores responsáveis pelo “combinado”. Ele se refere ao que foi combinado entre os prefeitos e mostra que a prefeitura ainda não cumpriu a parte operacional nem jurídica no acordo. Ao divulgar um trecho de ligação em que a Secretaria de Educação de Prudentópolis explica que as matrículas só seriam homologadas “após a formalização oficial do acordo”, o vice-prefeito expôs o óbvio. Ou seja: sem lei e termo de cooperação assinados, não há como a outra parte efetivar matrículas. Em vez de esclarecer essa razão, a tentativa de jogar a responsabilidade para o município vizinho soou como uma tentativa deliberada de 'lavar as mãos', jogando pressão nas redes sociais sem enfrentar a própria falha administrativa.

GESTÃO É FALHA

O que se observa é uma gestão que falha em cumprir prazos legais e responsabilidades básicas e, ao perceber isso, busca construir uma narrativa alternativa em vez de agir para resolver o problema real que afeta dezenas de estudantes. Enquanto isso, famílias e alunos permanecem à mercê de um impasse que, na prática, compromete o direito à educação e evidencia um preocupante descompasso entre discurso e ação na administração pública de Guamiranga. Leia outras notícias no Portal RSN.
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