Em breveAgenda completa da região no Portal RSNShowsFeiras, cultura, esporte e serviços em um só lugarVolte todo diaSaiba o que acontece antes de sair de casaPortal RSNSua agenda regional, atualizada para quem acompanha o portalEm breveAgenda completa da região no Portal RSNShowsFeiras, cultura, esporte e serviços em um só lugarVolte todo diaSaiba o que acontece antes de sair de casaPortal RSNSua agenda regional, atualizada para quem acompanha o portal
Eu poderia ser um interno da Penitenciária Estadual de Guarapuava - UP
Nem sempre aparecer do outro lado de dentro do alambrado é uma escolha. Basta viver para ter a "Liberdade Vigiada". Lá dentro ou aqui fora
Gilson BoschieroJornalista
5 min de leitura
(Foto: Reprodução/Pixabay)
Compartilhar
[caption id="attachment_191202" align="aligncenter"](Foto: Reprodução/Pixabay)(Foto: Reprodução/Pixabay) (Foto: Reprodução/Pixabay)[/caption]
Conforme eu fui conhecendo a PEG UP e ouvindo as histórias, principalmente a de alguns presos, me dei conta de um sentimento que gostaria de compartilhar. Penso que ninguém nasce querendo cometer um crime, ser condenado, e ficar preso.
Mas estamos em constante vulnerabilidade na sociedade. Por um momento, e refletindo sobre algumas histórias, me coloquei no lugar de alguns internos. Poderia ser eu, sim. E com isso não estou dizendo que tenho perfil criminoso.
Admito apenas que sou humano. Não quero fazer nenhum julgamento de valor, de juízo, nem dizer que o desfecho está certo ou errado. Quero apenas, por um instante, compartilhar a empatia que tive.
EXEMPLO
Por exemplo: não tem como não admitir, que ao vender um bem que você comprou e pagou, você quer receber o pagamento devido. Mas e quando isso não acontece? O que você faz? Deixa quieto ou cobra seu devedor? Penso que seja natural do ser humano cobrar. Senão seria doação. E quem nunca passou por isso? Pois é. Quem nunca ficou nervoso com uma situação dessas ou mesmo parecida?
O limiar entre assumir o prejuízo ou cobrar e sair no braço é tênue e diz respeito a cada um, ao controle emocional num determinado instante de nossas vidas. E quando você cobra seu devedor e ele tenta o agredir com uma faca dizendo que não deve nada e não vai pagar? Imagino que a morte passa diante dos olhos. Mas se eu conseguir me defender, e inclusive tomar a faca do meu agressor/devedor e durante minha defesa, o machucar? Pronto. Cometi o crime de tentativa de homicídio.
Se condenado posso pegar alguns anos de prisão. De vítima passei a réu, e me tornei “culpado”. Lendo essa reflexão, você também consegue perceber que isso pode acontecer com você, e que aparentemente foge do nosso controle? É disso que falo. Em muitos casos, eu percebi que poderia ter acontecido comigo.
OUTRO EXEMPLO
Muitos podem estar lendo agora essa reportagem final sobre a série especial do Portal RSN a respeito da PEG UP, e tem um revólver em casa para defender a família em caso de um assalto, por exemplo.
Se lembra do depoimento do preso que deu um tiro para assustar quem invadia a sua casa, e acabou matando uma pessoa? Você pode até discordar, mas isso também poderia ter acontecido com você que tem uma arma em casa.
Não estou questionando o mérito de ter ou não uma arma em casa. Mas como exemplo, o fato de que quem bebe e dirige assume o risco de causar um acidente, ou atropelar e até matar uma pessoa, quem guarda uma arma para defender a família, também assume o risco de cometer um homicídio.
Ninguém quer decididamente isso. Mas pode acontecer com qualquer um que se submeta a essas questões colocadas. E não estou falando de crimes hediondos, com requintes de crueldade, de pessoas pertencentes a facções. Estou falando de pessoas comuns.
Porém, após um homicídio, você poderia ser condenado e estaria na cadeia. Se tivesse sorte, quem sabe seria transferido para a PEG UP, onde a estrutura e os profissionais estão à disposição daqueles que pretendem pagar a dívida que tem com a sociedade. E depois de cumprir a pena, seguir uma vida como todos sonhamos e queremos. Em Paz, e com dignidade.
REFLEXÃO
Mesmo aqui do lado de fora, e parecendo estar distante da realidade mostrada nessa série de reportagens sobre a Penitenciária Estadual de Guarapuava - Unidade de Progressão, te pergunto: como você está escrevendo os dias da sua existência, no livro da sua vida?
Quem julga as ações do outro com olhar marginalizador, pode inesperadamente e mesmo que ‘sem querer’, aparecer do outro lado do alambrado. Aliás, muito se fala no sistema prisional, como forma de prevenção de crime, seja pela pena, seja pela sua ameaça.
[caption id="attachment_191002" align="aligncenter"]Apenas um alambrado divide o espaço a liberdade da prisão (Foto: Reprodução/Pixabay)Apenas um alambrado divide o espaço a liberdade da prisão (Foto: Reprodução/Pixabay) Eu poderia ser um interno da Penitenciária Estadual de Guarapuava - UP (Foto: Reprodução/Pixabay)[/caption]
Assim, conforme o advogado criminalista e professor de direito penal Loêdi Lisovski, de tempos em tempos, "nós humanos nos metemos a pensar se está certa essa dinâmica preventiva, e pensando bem, creio que seja a que temos, e que sem ela seria pior. Não se vive mais sem a prisão, o que não quer dizer que seja a certa [dinâmica preventiva]".
https://youtu.be/6V94LweMjzw
Assim, a questão do crime, não será resolvida pela pena, e isso já sabemos diz Lisovski.
"A questão do crime somente se resolve nas pessoas, que optem por não cometê-lo. Não há mistério. O problema está na complexidade das pessoas, e seu longo e tortuoso caminho para mudanças".
Leia outras notícias no Portal RSN.
Possui graduação em Jornalismo, pela Universidade Metodista de Piracicaba (1996). Mestre em Geografia pela Unicentro/PR. Tem experiência de 31 anos na área de Comunicação, com ênfase em telejornalismo e edição. Foi repórter, editor e apresentador de telejornais da TV Cultura, CNT, TV Gazeta/SP, SBT/SP, BandNews, Rede Amazônica, TV Diário, TV Vanguarda e RPC. De 2015 a 2018 foi professor colaborador do Departamento de Comunicação Social da Unicentro - Universidade do Centro-Oeste do Paraná. Em fevereiro de 2019, passou a ser o editor chefe do Portal RSN.