A herança deixada por Tatiane é pequena, conforme avaliam os advogados. Mas para a família, o que está em jogo é a dimensão moral do caso. Além disso, a defesa pretende reativar o processo de indenização por danos morais, que também foi paralisado enquanto a sentença criminal não era definitiva. “Valor nenhum vai compensar a dor da família. Mas acreditamos na função pedagógica dessa condenação: tanto para ele quanto para a sociedade. O feminicídio precisa ter resposta clara e firme do Judiciário”.Infelizmente a postura do Manvailer nunca foi amistosa. Tentamos um acordo para evitar a judicialização, mas ele recusou. Agora, a Justiça precisa se pronunciar também na esfera cível.
RETOMADA
A partir de agora, com a sentença penal encerrada, os processos suspensos podem ser retomados e a defesa promete agir nos próximos dias. A expectativa é de que a Justiça reafirme o que o próprio caso já grita: não há espaço para o lucro sobre a tragédia, nem para a impunidade emocional de quem destruiu uma vida e tenta, ainda assim, se beneficiar dela.O crime, ocorrido em 2018 em Guarapuava, expôs com crueldade a realidade de tantas mulheres brasileiras que são mortas dentro de casas, pelos companheiros. Trata-se do retrato de um país onde a violência de gênero é epidêmica. O caso ganhou destaque nacional e internacional não apenas pelo conteúdo chocante das imagens e pela brutalidade da morte, mas pelo padrão que escancarou. A misoginia não é exceção, é estrutura.
FRIEZA
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Luiz Felipe Manvailer (Foto: Reprodução/Vídeo Depoimento)[/caption]
A tentativa de Manvailer de manipular a cena do crime, levando o corpo de Tatiane de volta ao apartamento para simular uma queda acidental, revela não só frieza. Mas uma confiança inquietante na impunidade. Essa sensação de poder que atravessa muitos feminicidas: a ideia de que podem controlar até a narrativa da morte.
O julgamento, ocorrido em 2021 por júri popular, condenou Manvailer por homicídio qualificado, feminicídio, motivo fútil, meio cruel e asfixia. Além de fraude processual. Entretanto, mesmo com a solidez das provas, a defesa insistiu por anos em recorrer da sentença, que agora transita em julgado. O feminicídio de Tatiane também deixou um marco na política pública do Paraná. O caso motivou a criação do Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, celebrado em 22 de julho, dia em que ela morreu. A iniciativa partiu da deputada estadual Cristina Silvestri (PP). Leia outras notícias no Portal RSN.