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Cresce o número de crimes contra a mulher em Guarapuava, alerta advogado
As prisões feitas pela Delegacia da Mulher passaram de 24, em 2024, para 62 em 2025, envolvendo crimes como estupro, ameaça e descumprimento de medida protetiva
Cristina EstecheJornalista
5 min de leitura
Violência doméstica (Foto: Arquivo/RSN)
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A morte brutal de uma mulher de 29 anos, atacada com múltiplas facadas pelo marido, voltou a expor uma realidade cruel. Não é demais dizer que o feminicídio quase nunca começa no ato final. Antes da violência extrema, geralmente existem sinais, ameaças, controle, medo, isolamento e uma sequência de abusos que, muitas vezes, ficam ignorados ou minimizados.
O caso, registrado no bairro Água Verde em Laranjeiras do Sul, na terça (5), é investigado como feminicídio. Testemunhas relataram que a vítima teria sido perseguida antes de receber os golpes de faca no tórax e nos braços. O suspeito foi preso preventivamente pela Polícia Civil.
[caption id="attachment_331566" align="aligncenter"]Advogado Reinaldo de Lara (Foto: divulgação)Advogado Reinaldo de Lara (Foto: divulgação) Advogado Reinaldo de Lara (Foto: divulgação)[/caption]
É diante desse cenário que o advogado Reinaldo de Lara, de Guarapuava, faz um alerta contundente. "A violência contra a mulher raramente se apresenta, no início, com a face explícita da agressão física". Ela costuma avançar de forma gradual, muitas vezes disfarçada de ciúme, cuidado, proteção ou preocupação excessiva. Portanto, o feminicídio começa com sinais ignorados.
Em Guarapuava, os números também reforçam a gravidade do problema. De acordo com o advogado, a Polícia Civil do Paraná registrou aumento de 158% nas prisões de autores de crimes contra mulheres, crianças e adolescentes ao longo de 2025.
As capturas feitas pela Delegacia da Mulher passaram de 24, em 2024, para 62 em 2025, envolvendo crimes como estupro, ameaça e descumprimento de medida protetiva.
Conforme a visão do criminalista, o crescimento das prisões pode indicar maior atuação policial. Mas também revela a permanência de uma realidade dura. Ou seja: a violência segue presente dentro de casas, relações e estruturas familiares. E, quando não interrompida, pode avançar para o desfecho mais grave, o feminicídio.
De acordo com o advogado, muitas mulheres só percebem a gravidade da situação quando já estão emocionalmente fragilizadas, isoladas de familiares e amigos. E tem ainda a dependência afetiva ou financeira do agressor e ficam presas a um ciclo de medo e esperança. Nesse processo, atitudes abusivas são confundidas com amor, enquanto o controle passa a ocupar o lugar da liberdade.
[caption id="attachment_310067" align="aligncenter"]Homem mantém esposa em cárcere privado sob ameaça de morte (Foto: Arquivo RSN)Homem mantém esposa em cárcere privado sob ameaça de morte (Foto: Arquivo RSN) Violência doméstica (Foto: Sejuf/Paraná)[/caption]
FORMAS DE VIOLÊNCIA
A legislação brasileira reconhece diferentes formas de violência doméstica e familiar, conforme Reinaldo Lara. A violência física é aquela que atinge a integridade corporal da mulher. A psicológica provoca medo, sofrimento emocional, baixa autoestima e dependência. A moral afeta a honra e a reputação por meio de ofensas, calúnias ou exposição vexatória. A sexual ocorre quando há ato sem consentimento, por força, ameaça ou constrangimento. Já a patrimonial envolve retenção, destruição ou controle de documentos, cartões, salário, bens ou recursos financeiros.
UMA HISTÓRIA QUE SE REPETE
Na prática, de acordo com o advogado, essas violências raramente aparecem isoladas. Elas se misturam, se repetem e se intensificam. "O agressor cria tensão, explode em violência e, depois, pode demonstrar arrependimento. Promete mudar, pede desculpas, tenta reconstruir a confiança. A vítima, muitas vezes movida pelo medo, pela dependência ou pela esperança, permanece. Até que o ciclo recomeça".
[caption id="attachment_261242" align="aligncenter"](Imagem: Reprodução/Freepik)(Imagem: Reprodução/Freepik) (Imagem: Reprodução/Freepik)[/caption]
Para Reinaldo de Lara, esse é um dos pontos mais perigosos. Isso porque a repetição do abuso cria uma falsa normalidade. O que deveria acionar proteção passa a ser relativizado. O que deveria provocar reação fica suportado em silêncio. O advogado compara a violência doméstica a uma doença grave e progressiva.
Assim como um câncer agressivo, quando identificado no início, há maiores chances de controle e superação. Mas, quando ignorado, tende a evoluir de forma silenciosa, avançando até consequências irreversíveis.
Para o advogado, a identificação precoce dos sinais e a busca imediata por orientação são fundamentais. Isso inclui procurar apoio jurídico, psicológico, familiar, institucional e policial. A vítima não precisa esperar a agressão física para pedir ajuda. A ameaça, o controle, o medo e a humilhação já são sinais suficientes de que algo está errado.
[caption id="attachment_330786" align="aligncenter"]Acolhimento (Foto: reprodução/Freepik)Acolhimento (Foto: reprodução/Freepik) Acolhimento (Foto: reprodução/Freepik)[/caption]
Desde janeiro de 2025, Reinaldo de Lara passou a oferecer às clientes vítimas de violência um suporte que vai além da atuação jurídica. Inclui acompanhamento psicológico especializado. A proposta é unir proteção legal, fortalecimento emocional e reconstrução da autonomia.
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