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ELEIÇÕES

Gomyde reassume direção do DC no Paraná

Liminar restabelece direção, mexe na estrutura da campanha de Moro, mas não anula, neste momento, a convenção que definiu apoio ao ex-juiz

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
4 min de leitura
Ricardo Gomyde volta ao comando do DC no Paraná (Foto: reprodução/redes sociais)
Ricardo Gomyde volta ao comando do DC no Paraná (Foto: reprodução/redes sociais)

A disputa interna pelo comando do Democracia Cristã (DC) no Paraná ganhou um novo capítulo nesta sexta (25). Uma decisão liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou o restabelecimento da direção estadual anteriormente comandada pelo ex-deputado federal Ricardo Gomyde. Essa alteração mexe diretamente na campanha de Sergio Moro, candidato ao Governo do Paraná.

A mudança ocorre pouco mais de dois meses depois de a direção nacional do DC retirar do comando o grupo de Gomyde. A antiga comissão estadual preparava a pré-candidatura do empresário Tony Garcia ao Governo do Paraná. Após a substituição, uma nova Executiva assumiu a legenda e anunciou apoio a Sergio Moro (PL). A aliança foi posteriormente aprovada na convenção estadual do partido.

A liminar, porém, não significa a anulação automática da convenção realizada em 5 de agosto nem do apoio eleitoral definido pelo DC. A validade dos atos partidários permanece submetida à análise da Justiça Eleitoral, enquanto a discussão sobre a troca da direção estadual segue em julgamento.

Gomyde recorreu ao TSE alegando que a comissão que presidia havia sido inativada pela direção nacional sem observância do contraditório e da ampla defesa. O processo é relatado pelo ministro André Mendonça e discute justamente a legalidade da substituição do comando estadual da legenda.

A troca também teve repercussão política porque a nova Executiva passou a contar com Fábio Aguayo, que integrava a equipe comissionada do gabinete de Moro no Senado. A informação consta no Portal da Transparência do Senado.

Tony Garcia passou a acusar Moro de ter atuado para impedir sua candidatura ao governo. As acusações são contestadas pelo senador. Garcia e Moro mantêm um conflito antigo relacionado à colaboração firmada pelo empresário quando Moro atuava como juiz federal; as alegações feitas posteriormente por Garcia são objeto de procedimentos judiciais, e Moro nega irregularidades.

Com a nova decisão, a crise interna do DC volta ao centro da disputa eleitoral paranaense. O ponto que ainda deverá ser definido pela Justiça é até onde o restabelecimento da antiga direção pode produzir efeitos sobre decisões tomadas pela legenda durante o período em que esteve sob outro comando.

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