Em breveAgenda completa da região no Portal RSNShowsFeiras, cultura, esporte e serviços em um só lugarVolte todo diaSaiba o que acontece antes de sair de casaPortal RSNSua agenda regional, atualizada para quem acompanha o portalEm breveAgenda completa da região no Portal RSNShowsFeiras, cultura, esporte e serviços em um só lugarVolte todo diaSaiba o que acontece antes de sair de casaPortal RSNSua agenda regional, atualizada para quem acompanha o portal
Tornado no PR deve servir como alerta de "desespero e urgência", diz especialista
Tragédia em Rio Bonito do Iguaçu, que deixou 6 mortos e 750 feridos, ocorre no momento em que líderes globais discutem o clima em Belém
Thiago de OliveiraJornalista
3 min de leitura
Imagem aérea mostra destruição de Rio Bonito Iguaçu (Foto: Jonathan Campos/AEN)
Compartilhar
O tornado F2 que devastou a cidade de Rio Bonito do Iguaçu na noite de sexta (7), deixando seis mortos e 750 feridos no estado, repercutiu entre especialistas que acompanham a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém. Para eles, a tragédia é mais uma prova da necessidade de ações concretas e investimentos urgentes para lidar com os extremos climáticos.
O secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, defendeu que o desastre no Paraná deveria servir como um alerta de "desespero e urgência" para as autoridades reunidas na conferência.
“O que aconteceu no Paraná, que é triste e grave, é mais uma repetição do que vem acontecendo não apenas no Brasil, como no mundo inteiro também", destacou Astrini. Ele criticou o fato de que, muitas vezes, "a reunião fica impermeável ao mundo real" e disse esperar que o presidente Lula cite a tragédia paranaense em seu discurso oficial.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS E EVENTOS EXTREMOS
Especialistas explicam que, embora tornados não sejam causados apenas pelas mudanças climáticas, o desequilíbrio do clima pode torná-los mais frequentes e intensos.
“As mudanças climáticas [...] aumentam a energia, causando o aquecimento da atmosfera e também dos oceanos. Esse aumento do calor provoca também o aumento da umidade. [...] Mais calor e mais umidade servem quase como um combustível para esses eventos meteorológicos extremos”, explicou a oceanógrafa Renata Nagai, pesquisadora da USP.
O professor Michel Mahiques, também da USP, reforça que esse tipo de fenômeno pode se tornar mais comum. "Com as mudanças climáticas, essas diferenças [de temperatura e pressão] se intensificam, e a possibilidade de ocorrer eventos extremos como esse aumenta", disse.
PRESSÃO POR FINANCIAMENTO
A tragédia no Paraná ocorre no mesmo dia em que terminou a Cúpula de Líderes da COP30. Para Carlos Rittl, da Wildlife Conservation Society, eventos recentes como este e furacões na Ásia e Caribe impõem uma "responsabilidade muito grande" ao Brasil na presidência da conferência.
Uma das principais discussões em Belém é justamente o financiamento para adaptação. Everaldo Barreiros, professor de meteorologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), afirmou que é preciso preparar as cidades para impactos que já são "inevitáveis". "É preciso colocar na mesa dos políticos de que esse mapeamento já foi feito pelos cientistas. [...] E para fazer essa preparação, é obrigatório ter recurso financeiro”, disse Barreiros.
Os especialistas são unânimes. Além de cortar emissões, os municípios precisam de investimentos urgentes para aumentar a capacidade de lidar com eventos extremos, que estão cada vez mais comuns.
*Com Agência Brasil
Leia outras notícias no Portal RSN.
RSN Padrão rodapé