Por décadas, entrar no Cine Guará significou muito mais do que assistir a um filme. Era ponto de encontro, programa de domingo, lugar de namoro, matinês e grandes espetáculos. Agora, o endereço da Rua Senador Pinheiro Machado, no Centro de Guarapuava, ganhará uma nova função. O terreno receberá um empreendimento destinado à Caixa Econômica Federal, com superintendência e uma nova agência. Dentro da futura estrutura, conforme a Caixa, haverá um memorial dedicado ao antigo Cine Guará. Trata-se de fotografias, registros históricos e uma maquete que reproduzirá o prédio que marcou gerações de guarapuavanos.
A história do cinema ajuda a dimensionar o significado da iniciativa. De acordo com registros, o Cine Guará foi inaugurado em 1947, na Rua Senador Pinheiro Machado, com capacidade para cerca de 420 espectadores e projeção em 35 milímetros. Em determinado período, chegou a rodar centenas de sessões por ano, tornando-se uma das principais referências de entretenimento da cidade.
Quem viveu aqueles anos guarda lembranças que vão além da tela. Conforme descrições de antigos frequentadores, as cadeiras de imbuia produzidas pela tradicional Móveis Cimo, tomavam conta do espaço. Falam também sobre as sessões dominicais, os filmes de Mazzaropi. Era uma época em que ir ao cinema significava encontrar amigos, namorar e acompanhar de perto as novidades culturais que chegavam a Guarapuava.
ATÉ ROBERTO CARLOS
O palco do Guará também recebeu música. Em 21 de abril de 1973, Roberto Carlos se apresentou no cinema durante uma passagem por Guarapuava. Naquele mesmo dia, o cantor fez uma segunda apresentação no CTG Fogo de Chão. Com o passar dos anos, o cinema fechou, o imóvel recebeu outros usos e perdeu características da construção original. Por fim, chegou a sediar uma Igreja evangélica.
A proposta do memorial apresentada na sexta (11), ocorreu durante a assinatura de um contrato entre o Município e a empresa responsável pelo novo empreendimento. De acordo com a secretária municipal de Cultura, Rossana Manfredini, a intenção é permitir que a memória do espaço permaneça acessível também às futuras gerações.
O empresário Rodrigo Bonin Cosechen, CEO da empresa responsável pelo novo projeto, disse que a demanda surgiu a partir da necessidade da Caixa de contar com instalações mais modernas e adequadas às atuais normas de acessibilidade.
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RSN.