
LAUDO PERICIAL
O laudo de necropsia aponta pelo menos 18 facadas em regiões vitais da vítima — tórax, dorso e abdômen — além de outras escoriações. No total, os peritos identificaram 28 lesões, incluindo ferimentos nas mãos compatíveis com tentativa de defesa. De acordo com a delegada, a agressão durou cerca de seis minutos. O estado da casa, com poças e respingos de sangue, indica que Suelen tentou fugir do agressor pelos cômodos do imóvel. A delegada afirmou que o suspeito trancou a casa por dentro com um cadeado antes de iniciar as agressões, impedindo a entrada de testemunhas que tentavam socorrer a vítima. Ele deixou o local por uma janela e jogou a chave para fora, já ao final do ataque.O QUE ACONTECEU ANTES DO CRIME
De acordo com a delegada, o suspeito, a vítima e outras duas pessoas — um primo do autor e uma amiga — estavam nas proximidades da Vila Carli antes do crime. O grupo foi até a residência do suspeito, que usava tornozeleira eletrônica e precisava retornar até um horário determinado. A dupla que acompanhava o casal saiu para comprar bebidas e encontrou o estabelecimento fechado. Ao retornar, por volta das 23h40, encontrou a porta da residência trancada e ouviu gritos. Pelas frestas da porta, viram Suelen sendo esfaqueada e foram até a janela de um vizinho pedir socorro, gritando que o suspeito estava matando a vítima.HISTÓRICO DO SUSPEITO
A delegada afirmou que o suspeito tem ficha criminal extensa, incluindo passagens por roubo e organização criminosa. Ela relatou ainda ter atendido anteriormente um caso de violência doméstica envolvendo o mesmo homem contra uma ex-companheira, que precisou se mudar de cidade após as agressões. Segundo testemunho do pai dos dois filhos mais novos de Suelen, o suspeito enviava mensagens ameaçadoras à vítima e insistia para retomar o relacionamento. A delegada mencionou um episódio anterior, no Dia das Mães deste ano, em que Suelen teria sido agredida com socos, além de ter sido amarrada e molhada com água pelo suspeito. A delegada afirmou que não havia registros policiais anteriores envolvendo o casal, apesar do histórico relatado por testemunhas. Segundo ela, a vítima temia represálias por procurar as autoridades.PARTICIPAÇÃO DE TERCEIROS
Questionada sobre contradições atribuídas ao primo do suspeito em depoimentos, a delegada afirmou que as provas reunidas no inquérito — incluindo imagens e testemunhos — afastam a participação dele no crime. De acordo com ela, o primo tentou impedir o ataque e demonstrou desespero durante a ocorrência. O suspeito negou a autoria do crime durante interrogatório, alegando que um terceiro homem, apontado por ele como ex-companheiro da vítima, teria cometido o feminicídio. A delegada classificou a versão como isolada e sem respaldo em provas. Ela destaca que a casa permaneceu trancada com apenas os dois dentro durante todo o período das agressões. O indiciamento por ora recai exclusivamente sobre o suspeito. No entanto, a delegada não descartou o surgimento de novos elementos ao longo da tramitação do processo no Ministério Público.Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar). Leia outras notícias no Portal RSN.
