De acordo com ela, as principais características do autismo se concentram em dois eixos: dificuldades na comunicação e na interação social e padrões de comportamento restritos ou repetitivos. O diagnóstico também leva em conta o nível de suporte necessário para cada pessoa. O DSM-5 classifica o TEA em três níveis, conforme a necessidade de apoio. "O nível 1 exige suporte, o nível 2 exige suporte substancial e o nível 3 exige suporte muito substancial. Vale ressaltar que todo autista necessita de algum tipo de apoio; o que varia é a intensidade desse apoio. Além disso, o nível de suporte não determina o potencial de uma criança, apenas indica o quanto de ajuda ela precisará para aprender e se desenvolver." [gallery columns="2" size="full" ids="328944,328943"]“O TEA é uma forma diferente de o cérebro se organizar, perceber o mundo e interagir. Autismo não é doença, logo, não há o que curar. O que buscamos são intervenções e estratégias que desenvolvam habilidades e promovam qualidade de vida.”
DIAGNÓSTICO COSTUMA SER DEMORADO
Uma das ideias equivocadas mais comuns, conforme a psicóloga, é imaginar que o diagnóstico acontece de forma simples ou rápida. Na prática, o processo costuma ser longo e envolve várias etapas.Mesmo quando os sinais são claros, o caminho até o diagnóstico pode ser difícil."A família deve buscar o apoio de um pediatra, neuropediatra ou até mesmo de um psiquiatra (especialmente no caso de adolescentes e adultos). Com o objetivo de fechar o diagnóstico, é solicitada uma avaliação neuropsicológica, que serve para investigar as funções cognitivas, comportamentais e emocionais para que este processo possa auxiliar o médico a fundamentar a análise clínica para, então, fornecer o laudo médico final.”
"O processo raramente é rápido, pois as famílias enfrentam obstáculos que vão desde a longa espera por consultas com especialistas, como neuropediatras e psiquiatras, até a complexidade do período de avaliação, que exige diversas sessões. Além do tempo, existe uma barreira financeira significativa, visto que o investimento em consultas e na avaliação neuropsicológica é alto."
TERAPIAS E ACOMPANHAMENTO
Após o diagnóstico, o acompanhamento depende das necessidades de cada criança. Segundo Duda, não existe um modelo único de tratamento.As terapias podem abranger diversas áreas, como Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Psicomotricidade, Análise do Comportamento Aplicada (ABA), Psicoterapia, Psicopedagogia, Terapia Alimentar e Equoterapia. O objetivo, explica, é sempre estimular a autonomia e melhorar a qualidade de vida."Assim como nenhuma criança típica é igual a outra, o mesmo ocorre com as neurodivergentes. A depender do nível de suporte, dos déficits e dos excessos comportamentais, especialistas determinarão quais especialidades são necessárias, bem como a carga horária semanal de intervenção."
DESAFIOS PARA AS FAMÍLIAS
Quando questionada sobre os principais desafios para as famílias, Duda diz são tantos que seria impossível citar em uma única entrevista. Um deles é o manejo de comportamentos desafiadores, como episódios de autolesão, agressividade ou crises. Muitas vezes a família não consegue identificar sozinha o que desencadeia esses comportamentos ou como preveni-los.Outro fator importante é a rigidez de rotina que algumas crianças apresentam. Qualquer mudança inesperada pode gerar crises intensas. Isso exige vigilância e adaptação constantes por parte da família."Somado a isso, há o desafio da rigidez comportamental, em que a necessidade de uma rotina inflexível para evitar a desregulação faz com que qualquer imprevisto fora do controle dos pais possa resultar em crises severas, exigindo uma vigilância e uma adaptação constantes de todo o núcleo familiar."
INCLUSÃO ESCOLAR
No ambiente escolar, a presença de apoio especializado é considerada fundamental para muitas crianças dentro do espectro.Quando há avaliação adequada, planos de ensino individualizados e adaptações curriculares, aumentam as chances de desenvolvimento."Este é o ambiente em que a pessoa autista passará grande parte do tempo, passará por desafios e terá múltiplas oportunidades para o aprendizado de habilidades, desde que haja apoio especializado."
"É o que determinará se a trajetória de ensino será fator de sofrimento e fracasso escolar ou fator de proteção e ganho de autonomia e autodeterminação. Por isso, a adequada capacitação da rede pública e particular é um tópico urgente em nossa cidade."
MAIS DIAGNÓSTICOS
Nos últimos anos, o número de diagnósticos de autismo aumentou no Brasil e no mundo. Segundo a psicóloga, isso não significa necessariamente que existam mais casos."As pesquisas nos informam que o aumento se deve a algumas razões, que incluem mudança nos critérios para fazer o diagnóstico, aprimoramento de profissionais e instrumentos de rastreio e diagnóstico e conscientização da sociedade como um todo. "
FALTA DE POLÍTICAS PÚBLICAS
Apesar dos avanços na conscientização, Duda avalia que ainda há muitos desafios para garantir inclusão real. Ela diz que é preciso reduzir o estigma e aprofundar a compreensão sobre o autismo e sobre os desafios enfrentados pelas famílias. Além disso, aponta a necessidade de políticas públicas mais efetivas.Quando falamos em deficiência, se não eliminarmos as barreiras sociais e não promovermos acessibilidade real, a inclusão não se concretiza. Além disso, precisamos elevar nosso sistema educacional através de capacitação adequada e contínua. Sem uma rede preparada para incluir de forma especializada, continuaremos a enfrentar as mesmas barreiras por muito tempo.
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