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Indústria projeta 2026 entre o otimismo produtivo e a cautela política
Estudo revela que, apesar de 71% das indústrias planejarem novos investimentos, a política nacional e as incertezas sobre a Reforma Tributária são os principais desafios
Cristina EstecheJornalista
4 min de leitura
Forum Regional Fiep em Guarapuava (Foto: Agência Fiep)
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A Região de Campos Gerais Centro, que representa 4,3% do parque industrial do estado, atravessa um período de transição marcado por expectativas moderadas e foco em eficiência. De acordo com a mais recente Sondagem Industrial 2025-2026, coordenada pelo Núcleo de Assessoria Econômica da FIEP, o setor local apresenta indicadores de confiança ligeiramente abaixo da média estadual. No entanto, mantém um fôlego robusto para investimentos em produtividade.
O estudo veio à tona durante o Fórum Regional da Fiep, nesta sexta (13) em Guarapuava. O encontro teve o Presidente Nacional da Fiep, Edson Vasconcelos, a deputada Cristina Silvestri (PP), e os parlamentares Fábio Oliveira (Novo) e Artagão Jr (PSD). De acordo com a Sondagem, mesmo diante de um cenário de cautela, o apetite por investimentos permanece vivo. Isso porque, cerca de 71% das indústrias da Região pretendem investir em 2026. Um índice que, embora expressivo, fica 13 pontos percentuais abaixo da média do Paraná. Dentre as empresas que planejam aportes, 55% afirmaram que manterão ou elevarão o nível de investimento em relação ao ano anterior.
Os principais focos desses recursos estão direcionados para aumento da produtividade (63% dos gestores), expansão comercial (prioridade para 46% das empresas), lançamento de novos produtos (estratégia adotada por 45% dos entrevistados). Essa orientação demonstra um equilíbrio estratégico entre a expansão das vendas e a busca por processos produtivos mais enxutos e eficazes.
DESEMPENHO E CLIMA ECONÔMICO
O sentimento em relação ao desempenho individual das indústrias é majoritariamente positivo. De acordo com a sondagem, 55% dos empresários demonstra otimismo, contra 33% de neutralidade e 12% de pessimismo. No entanto, quando o assunto é a economia em geral, o tom muda para a retração. Conforme o resultado apresentado, 36% dos industriais preveem uma piora no cenário econômico, enquanto a média estadual de pessimismo é de 46%.
O principal "vilão" das expectativas é a política nacional, apontada por 58% dos entrevistados como o fator de maior influência negativa. Outros temas que preocupam o ambiente de negócios local incluem: carga tributária (citada por 84% das indústrias); incerteza jurídica e instabilidade econômica.
O DESAFIO DA REFORMA AGRÁRIA
Um dos pontos mais críticos revelados pela sondagem é o desconhecimento sobre a Reforma Tributária. Entre os empresários que afirmam não conhecer todos os impactos da mudança, que somam 75% da amostra, as dúvidas são profundas. De acordo com a Fiep, 76% têm dúvidas sobre o impacto nos custos de produção. Outros 64% desconhecem os novos processos de conformidade. Enquanto 41% não sabem como funcionará a transição entre os modelos.
Apesar do desconhecimento, o sentimento predominante (55%) é de apreensão quanto aos impactos esperados. O que sinaliza que a falta de informação clara pode estar represando um otimismo maior do setor.
COMÉRCIO EXTERIOR E PRODUTIVIDADE
No campo da produtividade, 76% das indústrias já implementam ou planejam implementar ações de melhoria contínua em 2026, conforme a sondagem. Já no comércio exterior, o levantamento indica uma presença ainda em desenvolvimento. Vinte e nove por cento das empresas atuam fortemente no mercado internacional, enquanto a maioria (55%) mantém o foco no mercado doméstico.
Conforme disse Edson Vasconcelos ao Portal RSN, a Sondagem Industrial 2025-2026 serve como um mapa para o planejamento estratégico da Região. Isso porque evidencia que, para Campos Gerais - Centro, o caminho para o crescimento passa pela superação das barreiras burocráticas e pela modernização tecnológica.
EXPO+INDÚSTRIA
Outro tema apresentado durante o Fórum foi a Expo+Indústria, feira que será promovida pela Fiep em agosto de 2026, em Curitiba. A iniciativa tem como objetivo aproximar empresas industriais de tecnologias e soluções voltadas ao aumento da produtividade. A proposta, conforme o evento, é reunir fornecedores de inovação, startups, especialistas e lideranças do setor em um ambiente voltado à geração de negócios e à troca de conhecimento.
A Expo foi um dos temas que mais geraram interesse dos empresários no fórum de Guarapuava. Conforme Vasconcelos, um dos principais desafios da indústria atualmente é a escassez de mão de obra, a empregabilidade, que também impacta a produtividade.
A Expo+Indústria vem suprir essa necessidade do empresário, de todos os segmentos e portes da indústria, por meio da atualização tecnológica, apresentando novidades do mercado e oferecendo a ele a possibilidade real de encontrar soluções para esses gargalos.