O Paraná convive nesta segunda (28) com novos números eleitorais. E são os percentuais de maior impacto que naturalmente ganham as manchetes. A Paraná Pesquisas coloca Sergio Moro (PL) com 50,1% dos votos válidos, contra 25,6% de Requião Filho (PDT) e 23,3% de Sandro Alex (PSD). É o número que coloca Moro na possibilidade de vencer no primeiro turno. Mas pesquisa exige cuidado: o percentual mais chamativo nem sempre conta sozinho toda a história.
Na estimulada, Moro tem 46,2%, e não 50,1%. Requião Filho aparece com 23,6% e Sandro Alex, com 21,5%. Os 50,1% surgem quando brancos, nulos e indecisos são retirados do cálculo. O procedimento é legítimo, mas produz uma mudança importante na narrativa: 46,2% significa uma liderança ampla; 50,1% produz a manchete de uma possível vitória no primeiro turno. E por apenas um décimo acima da linha dos 50%.
É por isso que o olhar precisa ir além da manchete. Moro lidera com folga, mas transformar os 50,1% em antecipação do resultado das urnas seria avançar além do que a pesquisa permite afirmar. A margem de erro informada é de 2,8 pontos percentuais, e outros números do próprio levantamento mostram uma eleição com camadas que merecem atenção.
A principal delas aparece na espontânea. Sem receber os nomes dos candidatos, apenas 33,4% citam Moro, enquanto Requião Filho tem 14,2% e Sandro Alex, 13%. E o dado que chama atenção: 34,3% não sabem ou não opinam. Isso não significa que exista um bloco desse tamanho disponível para qualquer candidato, mas mostra que uma parcela expressiva ainda não verbaliza espontaneamente a escolha.
Outro número é revelador: 52,7% acreditam que Moro vencerá, independentemente se votam nele ou não. Ou seja, ele tem 46,2% na estimulada e 33,4% na espontânea, mas já é percebido como vencedor por mais da metade dos entrevistados.
Percepção não é voto, mas pode ganhar peso na cabeça de quem ainda está decidindo. É aí que aparece o chamado voto útil e aquela velha lógica eleitoral: “não vou perder meu voto”. Os 50,1% podem estimular quem deseja uma definição no primeiro turno. No sentido contrário, podem levar quem prefere um segundo turno a buscar entre Requião Filho e Sandro Alex o adversário que considere mais viável
Mas veja bem: a pesquisa não prova que esse movimento ocorrerá, mas os números ajudam a explicar por que essa disputa por percepção pode crescer na reta final.
Por isso, olhar apenas para os 50,1% seria pouco. A mesma pesquisa traz Moro com 46,2% na estimulada, 33,4% na espontânea, 34,3% sem apontar espontaneamente um candidato e 52,7% acreditando em sua vitória.
A liderança existe e é expressiva. Mas existe também um espaço entre intenção, decisão e percepção. E há um detalhe importante nesta reta final: a pesquisa fotografa o eleitor, mas a manchete produzida a partir dela também chega até ele e passa a fazer parte da eleição.