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Câmara de Guarapuava (Foto: Ascom)
REFORMA ADMINISTRATIVA

Reforma na Câmara expõe núcleo de confiança da Presidência

Mudanças reposicionam aliados, reduzem a centralidade de Maria José Mandu Ribas e recolocam Daniel Dalzoto em área estratégica, mesmo com histórico judicial sensível

Redação
Redação Jornalista
6 min de leitura

Câmara de Guarapuava (Foto: Ascom)

A semana se encerra com a repercussão de reportagem informativa que mostrou o troca-troca de cargos na Câmara Municipal de Guarapuava. Mas agora, a partir de abordagens feitas por várias pessoas, formadoras de opinião em Guarapuava, observa-se que a questão deixa de ser apenas quem saiu de qual função e passa a ser outra. A pergunta é: o que essa reforma administrativa revela sobre o núcleo de confiança do presidente Pedro Moraes (MDB)? No momento em que Moraes, atual presidente da Câmara, aparece como possível nome para uma disputa a deputado federal, cada alteração interna no Legislativo passa a ter leitura que vai além da rotina administrativa. A mudança mais simbólica, conforme os últimos acontecimentos da semana, envolve Maria José Mandu Ribas. Antes, como coordenadora de gabinete da Presidência, ela ocupava uma função de alta proximidade com a rotina política e administrativa do comando da Casa. Era uma posição de acesso direto à agenda, às articulações e ao funcionamento interno da Presidência. [caption id="attachment_322633" align="aligncenter"]
Pedro e Maria José, então a mulher forte no gabinete da Presidência (Foto: DirCom/Câmara)Pedro e Maria José, então a mulher forte no gabinete da Presidência (Foto: DirCom/Câmara)
Pedro e Maria José, então a mulher forte no gabinete da Presidência (Foto: DirCom/Câmara)[/caption] Agora, deslocada para uma função mais institucional e comunitária, Maria José segue próxima da estrutura. No entanto, em um espaço menos central no processo decisório. Pedro Moraes, porém, não rompe com ela. E dificilmente faria sentido político romper com alguém que carrega histórico eleitoral, mandatos e votos. Ainda assim, a movimentação indica uma redução de influência direta no 'coração' da Presidência.

MARIA JOSÉ x DANIEL DALZOTO x KENNY DO CARTÓRIO

Enquanto Maria José perde centralidade, o advogado Daniel Dalzoto dos Santos volta a ocupar posição estratégica na engrenagem interna. Ele já atuou como assessor jurídico ligado à Presidência, passou pela Assessoria de Comissões Parlamentares, área sensível, conectada ao funcionamento das comissões, inclusive em temas de ética e decoro. Agora aparece reposicionado na Direção Legislativa.

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Decreto de nomeação de Dalzoto (Print do Diário Oficial do Município)Decreto de nomeação de Dalzoto (Print do Diário Oficial do Município)
Decreto de nomeação de Dalzoto (Print do Diário Oficial do Município)[/caption] Não se trata de um nome lateral. Daniel é visto nos bastidores como pessoa de extrema confiança de Pedro Moraes e como um dos conselheiros próximos do presidente. O ponto sensível, no entanto, está no histórico judicial. Daniel aparece ligado a processo de improbidade administrativa envolvendo licitações no município de Inácio Martins. Reportagem da RSN e da Folha de Irati registram que ele, junto com o ex-prefeito Maurino/Marino Kutianski e Manoel Francisco Rodrigues Moraes, respondia por acusações relacionadas a superfaturamento de obras e pagamento por serviços inexistentes, com pedido de ressarcimento aos cofres públicos e possibilidade de sanções, ainda com recurso cabível à época. [caption id="attachment_331651" align="alignnone"]
Daniel Dalzoto, assessor jurídico legislativo da Presidência (Foto: divulgação)Daniel Dalzoto, assessor jurídico legislativo da Presidência (Foto: divulgação)
Daniel Dalzoto, diretor legislativo (Foto: divulgação)[/caption] Em 2025, o caso voltou ao noticiário após decisão do Tribunal de Justiça do Paraná envolvendo a condenação do ex-prefeito por atos de improbidade administrativa em licitações. De acordo com o jornal 'Hoje Centro Sul', e Folha de Irati, o TJPR confirmou condenação relacionada a dano ao erário, dolo e sanções como ressarcimento, multa civil e proibição de contratar com o poder público. A ação cobrou ressarcimento de *R$ 914.835,05, corrigidos; a sentença impôs ressarcimento integral dos danos, multa civil, perda da função pública. Além da suspensão dos direitos políticos por cinco anos e proibição de contratar com o Poder Público. O retorno de Ramon Barbosa e Silva à Câmara de Guarapuava, completa o desenho político-administrativo. Ramon já atuou como Procurador-Geral do Legislativo na gestão de Pedro Moraes e agora volta como assessor jurídico do presidente. Além disso, conforme as informações reunidas pela reportagem, ele também figura como advogado de Daniel no processo de improbidade.

DESCONFORTO

A ligação de Daniel com Kenny do Cartório amplia o desconforto político. Daniel já teria atuado como advogado de Kenny, inclusive acompanhando depoimento na delegacia após a prisão. Informações apuradas pela reportagem indicam ainda que a fiança de R$ 21 mil teria sido paga pelo escritório jurídico do qual Daniel é sócio. [caption id="attachment_332193" align="aligncenter"]
Kenny e os advogados Miguel Nicolau Junior e Daniel Dalzoto durante interrogatório na Polícia Civil (Foto: reprodução da PC)Kenny e os advogados Miguel Nicolau Junior e Daniel Dalzoto durante interrogatório na Polícia Civil (Foto: reprodução da PC)
Kenny e os advogados Miguel Nicolau Junior e Daniel Dalzoto durante interrogatório na Polícia Civil (Foto: reprodução da PC)[/caption] É neste ponto que a reforma administrativa deixa de ser apenas uma troca de cadeiras e passa a exigir explicações públicas. Daniel passou por áreas estratégicas da Câmara, incluindo a Assessoria de Comissões Parlamentares e a assessoria jurídica da Presidência. No mesmo ambiente institucional, o processo por quebra de decoro contra Kenny acabou suspenso no Comitê de Ética. O que também chama a atenção é que o escritório de advocacia onde Daniel figura como sócio, inclusive do irmão dele (Davi), passou a defender Kenny. Não há, até aqui, comprovação pública de interferência direta. Mas a pergunta política é inevitável: qual foi o peso da presença de um ex-advogado de Kenny dentro da estrutura que orbitava decisões sensíveis da Câmara?

DISPUTA SILENCIOSA

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Câmara Municipal de Guarapuava (Foto: Assessoria/Câmara Municipal de Guarapuava)Câmara Municipal de Guarapuava (Foto: Assessoria/Câmara Municipal de Guarapuava)
Câmara Municipal de Guarapuava (Foto: Assessoria/Câmara Municipal de Guarapuava)[/caption] A resposta interessa não apenas aos adversários de Pedro Moraes, mas ao próprio Legislativo. Quando assessores próximos ao comando acumulam histórico judicial, relações políticas delicadas e passagem por setores estratégicos, a transparência deixa de ser opção e passa a ser obrigação. No fim, a reforma administrativa parece menos uma simples reorganização funcional e mais um movimento para ajustar forças, preservar aliados e reduzir ruídos. Pedro Moraes mantém Maria José Mandu Ribas por perto, mas em posição menos decisiva. Ao mesmo tempo, preserva no centro do poder nomes com histórico sensível e conexões politicamente incômodas. A Câmara de Guarapuava não está apenas diante de uma mudança de cargos. Está diante de uma disputa silenciosa sobre influência, confiança e controle interno.

DECRETOS DE EXONERAÇÕES E RECONTRATAÇÕES

Confira a 'dança de cargos': Decretos de exonerações e nomeações Leia outras notícias no Portal RSN.
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