O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem, diz Luis Fernando Veríssimo. Os brasileiros adoram falar desse jeitinho. E os guarapuavanos, então!
Cresci indo ao mercadinho da vila para comprar pão, à lojinha para algum cacareco. Não me lembro do nome atual do mercado, mas já teve vários. Para mim, sempre foi Mercadinho. A loja em questão, no entanto, tem o mesmo nome e donos desde sempre. Continua sendo a Lojinha.
Também cresci sendo chamado de piazinho. Até que dei uma esticada e, um dia, alguém me chamou de piazão: desde então não sou mais criança. Mãezinho...
...Mãezinho! Não achei documentação sobre o uso desse curioso vocábulo que substitui o tradicional "tadinho". Geralmente de modo afetuoso, mas pode ser irônico também. Falando em mãe, a minha chama o Boa Noite Paraná de jornalzinho. Não pejorativamente. O jornalzão, eu imagino, é o Nacional.
Ainda em família, já tivemos um cachorro chamado Cachorrinho. E, quando estamos com dor nas costas, sempre usamos o Doutorzinho, marca de gel massageador para alívio muscular. A dor passa, às vezes devagar[z]inho, mas passa.
Agora, se tem algo que o guarapuavano faz bem é usar o diminutivo no gerúndio. Domingo, o Parque do Lago enche de famílias passeandinho, casais namorandinho. Quando entardece e o tempo vai esfriandinho, alguém diz, talvez para amenizar a melancolia do fim: “Vamo andandinho?”
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Como Veríssimo, vejo nessas artimanhas linguísticas uma espécie de humildade diante da vida e, sobretudo, uma compreensão de que, mais que nos grandes eventos, a vida acontece - ou vai acontecendinho - nos gestos cotidianos.
Por isso gosto dos famosos versos de Mário Quintana, amigo de Luis Fernando:
eles passarão... eu passarinho!
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