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O embate revela que, no ambiente parlamentar, "matar" também significa silenciar a voz e a inteligência das mulheres pelo deboche e retaliação institucional
Cristina EstecheJornalista
3 min de leitura
Vereadora Professora Terezinha (Foto: DirCom Câmara Municipal de Guarapuava)
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O episódio na Câmara de Guarapuava, entre a vereadora Professora Terezinha (PT) e o vereador Pablo Almeida (PP), pode ser visto sob dois ângulos. Como uma discussão sobre 'prioridades' e 'forma de debate', mas também chama atenção pelo 'timing' e pelo tom. Principalmente no Mês da Mulher, quando pautas ligadas à participação feminina costumam ganhar mais visibilidade.
Na sessão dessa terça (3), a vereadora defendeu o uso do feminino na linguagem oficial para cargos e funções (como, por exemplo, incluir o “Dia da Vereadora”). Para quem apoia a ideia, isso tem valor institucional. Trata-se de um jeito de a Câmara reconhecer, nos próprios termos, que mulheres ocupam e exercem funções públicas. Para quem discorda, a mudança é vista como simbólica demais e com pouca utilidade prática. O que leva ao argumento de que o Legislativo deveria focar em temas “mais urgentes”.
Nesse sentido, o vereador Pablo Almeida votou contra e, pelo modo como reagiu (ironia/deboche), deixou implícito outro entendimento: de que essa pauta seria secundária, mais simbólica do que prática, e que o Legislativo deveria focar em outras prioridades. Nesse tipo de postura, o riso funciona como recado político: “isso não merece tanta importância”. O voto de Pablo foi acompanhado por outros vereadores. Mas o voto do presidente da Mesa, Pedro Moraes (MDB), foi decisivo para a aprovação.
SUBIU O TOM
Em pronunciamento na tribuna, mesmo após a aprovação em primeira votação, a vereadora utilizou termos enfáticos ao generalizar que “homens estão matando mulheres”, além da utilização de outros termos.
É imperativo compreender que, no exercício político, o ato de "matar" não se restringe à letalidade física. Trata-se de morte simbólica quando se utiliza a ironia para silenciar uma parlamentar, negando-lhe a seriedade devida ao cargo. E de morte política quando caracteriza-se pela tentativa de interrupção de mandatos ou pela invalidação da inteligência e capacidade técnica de mulheres por meio de rótulos como "falta de decoro" ou "espetáculo".
Em seguida à fala e ao desabafo da vereadora na tribuna, a estratégia de Almeida, ao protocolar uma representação verbal contra a colega, exemplifica a inversão de narrativa. Ou seja: a reação à ofensa é criminalizada para que a ofensa original seja esquecida.
PERSPECTIVAS PARA A SEGUNDA VOTAÇÃO
A expectativa para a segunda votação do projeto da Professora Terezinha na segunda (9) coloca a Câmara de Guarapuava sob escrutínio. Caso ocorra uma mudança de votos, como é possível ocorrer na sessão de terça, como represália ao posicionamento da parlamentar, a Casa de Leis estará emitindo um sinal perigoso. Ou seja: o de que a retaliação institucional é uma ferramenta aceitável para silenciar o debate sobre igualdade.
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