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Há histórias que poderiam ser mudadas. Outras apenas repetem um roteiro viciado, na ilusão de que a insistência transforme um fiasco em final feliz
Cristina EstecheJornalista
2 min de leitura
Filme antigo (Foto: reprodução/ Youtube)
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Há filmes que merecem ser revistos. Outros deveriam permanecer esquecidos na prateleira do fracasso. Mas existe uma categoria ainda mais intrigante: aquela dos que insistem em ser reprisados exatamente com o mesmo roteiro. Mudam os atores, trocam a iluminação, capricham na propaganda, mas o enredo continua viciado, previsível e incapaz de produzir um final diferente.
O curioso é que esse filme já estreou. E foi um fiasco. O público saiu frustrado, a crítica foi impiedosa e o desfecho deixou um rastro de decepções. Ainda assim, alguém decidiu que valia a pena colocá-lo novamente em cartaz. Talvez acreditando que bastaria uma maquiagem no cenário para transformar um fracasso em sucesso. Como se o problema estivesse no figurino e não na história.
Há uma ingenuidade quase comovente em repetir as mesmas cenas esperando aplausos inéditos. O protagonista continua tomando as mesmas decisões desastrosas, os coadjuvantes repetem as velhas falas e os conflitos surgem nos mesmos lugares, obedecendo a um roteiro que já nasceu cansado. O suspense desaparece porque todos sabem exatamente o que virá a seguir.
FINAL PREVISTO
A vida, porém, não costuma premiar a teimosia com criatividade. Um roteiro viciado não produz reviravoltas milagrosas. Apenas coleciona novas versões do mesmo fracasso. É a velha ilusão de que a repetição, por si só, possa corrigir aquilo que nunca funcionou. Não corrige. Apenas prolonga a sessão.
Por isso, não haverá final feliz para o protagonista. Não porque eu tenha perdido a capacidade de acreditar em filmes com finais felizes, mas porque eles exigem mudanças de roteiro, de escolhas e de falas. Quando se insiste na mesma história que fracassou na estreia, o máximo que se consegue é uma reprise mais longa de um filme que já conhecemos de cor e cujo desfecho, infelizmente, continua sendo o mesmo: a derrota de algo que já estreou fracassado.
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