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Alianças cruzadas revelam crise de identidade nos partidos do Paraná
ELEIÇÕES 2026!

Alianças cruzadas revelam crise de identidade nos partidos do Paraná

Apoios cruzados, disputas pelo controle partidário e cálculos sobre tempo de televisão, chapas e futuros governos colocam a coerência das legendas em segundo plano

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
3 min de leitura

Aliança quebrada (Foto: reprodução/Pinterest)

A disputa pelo Governo do Paraná expõe não apenas divisões internas, mas também o esvaziamento político de várias legendas. O apoio oficial de um partido já não assegura unidade entre dirigentes, deputados, prefeitos e candidatos. Em vez de projetos comuns, prevalecem cálculos individuais, alianças regionais e interesses eleitorais que reduzem as siglas a instrumentos de negociação. No 'Podemos', a contradição ficou evidente depois que o presidente estadual, Felipe Francischini, anunciou apoio a Sergio Moro. Logo em seguida, o vice-presidente da legenda, Do Carmo, declarou que seguirá com Sandro Alex, candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior. Mais do que uma divergência pontual, o episódio revelou a dificuldade da direção partidária em construir uma posição minimamente coesa. No PP, Ricardo Barros apoia Sandro Alex, mas liberou candidatos e lideranças para escolherem outros palanques. Cesar Silvestri Filho, de Guarapuava, decidiu apoiar Moro. A solução evita conflitos imediatos. Entretanto, transforma o partido em uma espécie de condomínio eleitora. Isso porque cada grupo ocupa um espaço diferente e a decisão oficial perde parte do significado político.

ENTRE DOIS

O MDB enfrenta dilema semelhante. Rafael Greca mantém a pré-candidatura e conta com o apoio de setores históricos, como o grupo ligado a Anibelli Junior e também Sergio Souza, que preside a legenda no Paraná. Na outra ponta, Renato Adur, vice-presidente, permanece próximo de Ratinho Junior e do projeto de continuidade do atual governo. O partido tenta preservar uma candidatura própria, mas mantém abertas as portas para acordos que podem alterar seu rumo conforme a conveniência eleitoral. A Democracia Cristã também entrou nesse cenário de disputas internas. A direção estadual anunciou apoio a Sergio Moro, enquanto Tony Garcia, que pretendia disputar o governo pela sigla, contestou a mudança de comando e o abandono da candidatura própria. O caso mostra como decisões sobre o controle partidário podem redefinir alianças, eliminar candidaturas e transferir estruturas eleitorais de um grupo para outro. Por trás desses movimentos estão o tempo de televisão, os recursos de campanha, a montagem das chapas proporcionais, as alianças municipais e a disputa por espaços em um futuro governo. Podemos, PP, MDB e DC continuam indispensáveis porque controlam candidaturas, fundos e propaganda. No entanto, se mostram frágeis como referências políticas. A legenda não desapareceu: tornou-se uma ferramenta a serviço da sobrevivência eleitoral e dos projetos dos dirigentes. Leia outras notícias no Portal RSN.
Rodapé blog da cris

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