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Baitala banca jantar e sela entrada no grupo de Guto Silva
Articulação em torno de Guto avança, mas o nó segue em Curi: ele não aceita ser empurrado ao Senado, e essa resistência é o principal risco de racha no governismo
Cristina EstecheJornalista
4 min de leitura
Prefeito Denilson Baitala (Foto gerada por IA)
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(Começo aqui pedindo licença ao blog Politicamente, o qual uso agora como fonte).
No xadrez da sucessão de Ratinho Junior, o Paraná voltou a usar a linguagem mais antiga do poder: mesa posta, rito semanal e recados sem discurso. E não é folclore. Em pré-campanha, encontros repetidos criam disciplina, testam lealdades e fabricam imagem de “time” antes mesmo de existir candidatura oficial.
Nesta segunda (2), na casa do secretário das Cidades Guto Silva, em Santa Felicidade, ocorreu o segundo encontro de uma série que passa a se repetir todas as segundas com prefeitos, deputados e secretários alinhados ao projeto de Guto para 2026. A cena ganhou contorno simbólico quando o prefeito de Guarapuava, Denilson Baitala, “patrocinou” o jantar com picanha, carne de ovelha e charque. Em política, gentileza desse tipo não é só hospitalidade: é sinal público de adesão, investimento de relação e anúncio de pertencimento.
Um detalhe, porém, ajuda a ler a fotografia do momento: o deputado Artagão Junior não estava na reunião. Em ambiente de construção de grupo, presença e ausência são bússola. Não é fofoca; é termômetro.
BAITALA ENTRA NO NÚCLEO E SAI COM MISSÃO
Baitala não foi apenas convidado: foi incorporado. Ele e Micheleto, presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), ficaram responsáveis por atrair mais prefeitos ao grupo. E quem me disse foi a assessoria de Guto. A estratégia é previsível, e eficiente: prefeitos entregam capilaridade, base regional e agenda local. E Guto, com a vitrine natural da infraestrutura, tenta ampliar um “cinturão municipalista” que dê tração e aparência de inevitabilidade ao nome dele.
O OUTRO FRONT
Enquanto Guto organiza o ritual das segundas, o governismo tenta resolver uma equação que costuma romper partidos: muitos herdeiros para um único trono. Como noticiou o blog Politicamente, o governador reuniu o núcleo duro na sede da Rádio da Família, também nessa segunda (2). E a missão seria convencer o presidente da Alep, Alexandre Curi, a abrir mão da disputa ao Governo e aceitar o Senado na majoritária.
Só que a costura parece emperrar. A resposta de assessores ao blog é objetiva: Curi não abre mão de ser candidato ao Governo. E aqui está o risco real: quando a acomodação vira “empurrão”, a política responde com rota de fuga.
GRECA NO TABULEIRO E JANELA PARTIDÁRIA COMO GATILHO
No bolo do PSD e do governismo, além de Guto e Curi, aparece Rafael Greca como nome que segue no radar para o Governo. Seja pelo PP, em cenário de atrito com Sergio Moro, seja pelo Podemos. Já Curi sinaliza que encontra-se com “um pé na janela” rumo ao Republicanos se o funil fechar. Aliás, assessores já aceitam a ideia de Curi perder a luta pra Guto Silva.
E tudo isso ocorre na semana em que começa a janela partidária. A partir desta quarta (4), inicia o período em que as conversas viram movimento e a ambiguidade vira filiação.
NÃO É SOBRE CARNE
No fim, a “picanha” deste início de semana não é sobre carne. É sobre hierarquia e recado: Baitala senta à mesa, banca o gesto, entra no núcleo e sai como operador de expansão. Portanto, o Paraná entra em março com a política no modo mais realista possível: cada reunião é uma triagem, cada ausência é um sinal, cada filiação é uma ameaça e cada gesto “gentil” é um investimento. A mesa está posta. Agora, o que vai definir a sucessão não é o cardápio. Mas é quem senta, quem serve e quem sai da sala antes da sobremesa.
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