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Enquanto o Paraná enfrenta temporal, a disputa eleitoral entra em zona de instabilidade com pesquisas apertadas e Brasília sob sequência de raios políticos e institucionais
Cristina EstecheJornalista
4 min de leitura
Tempestade (Imagem gerada por IA)
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O Paraná parece ter entrado numa temporada em que é prudente sair de casa com guarda-chuva e, para os candidatos, talvez também com uma boa capa eleitoral. Enquanto temporais, vendavais e até tornados atingem o Estado, a corrida pelo Palácio Iguaçu também registra mudança de pressão, nuvens carregadas e previsões que mudam a cada nova pesquisa. A diferença é que, na política, todo mundo jura conhecer a direção do vento.
Sergio Moro continua liderando a disputa pelo Governo do Paraná, com 35% no levantamento Real Time Big Data divulgado nesta sexta (11), pela Revista Veja. Sandro Alex, candidato do grupo de Ratinho Junior, avançou para 25% e reduziu a distância para 10 pontos. Requião Filho aparece logo atrás, com 21%. É o tipo de previsão que faz cada campanha olhar para o mesmo céu e enxergar uma coisa diferente. Para quem lidera, tempo firme; para quem cresce, frente quente chegando; para quem está atrás, possibilidade de virada no próximo boletim.
Sandro tenta provar que a chuva pode engrossar. Moro trabalha para convencer o eleitor de que 10 pontos ainda são um belo guarda-chuva. Requião Filho, por sua vez, observa os dois e tenta encontrar espaço entre as nuvens. Pesquisa eleitoral, vale lembrar, não mostra resultado da eleição. É apenas a fotografia de um momento. Mas em campanha vira quase previsão meteorológica: sobe dois pontos e já aparece gente anunciando verão; cai três e começam a procurar bote salva-vidas.
Até a própria pesquisa enfrentou turbulência. O levantamento do Real Time Big Data chegou a ter a divulgação suspensa pela Justiça Eleitoral. Mas posteriormente houve liberação pelo TRE-PR depois da desistência da ação que questionava a publicação. Ou seja: antes mesmo de os números entrarem na tempestade política, já haviam passado por uma pequena frente judicial.
RAIOS E TROVÕES TAMBÉM EM BRASÍLIA
Mas se no Paraná o céu eleitoral está carregado, em Brasília a previsão é de raios e trovões de todos os lados. A disputa presidencial também apertou. Levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nessa quinta (10) colocou Lula com 43% e Flávio Bolsonaro com 37,4% no primeiro turno. Em eventual segundo turno entre os dois, aparecem praticamente empatados: 46,4% para Flávio e 46,2% para Lula.
E não é apenas a urna que produz eletricidade. O Supremo Tribunal Federal atravessa uma crise interna envolvendo suspeitas, acusações e disputas entre ministros relacionadas ao caso Banco Master. A situação chegou ao ponto de sessões serem canceladas, enquanto o episódio passou a contaminar também o debate eleitoral. Lula e Flávio Bolsonaro passaram a cobrar investigações, cada um mirando partes diferentes da crise.
SEM MONOTONIA
O resultado é uma campanha em que quase ninguém pode reclamar de monotonia. Há tempestade real, tempestade eleitoral, tempestade judicial e uma quantidade razoável de gente tentando vender calmaria. No Paraná, Moro ainda está na frente, Sandro tenta mostrar que o vento virou e Requião procura atravessar a fresta. Nacionalmente, Lula e Flávio entram numa disputa cada vez mais apertada enquanto Brasília fornece trovões suficientes para várias campanhas.
Na meteorologia, pelo menos, existem radares, satélites e modelos que ajudam a prever o que vem pela frente. Na política brasileira, o eleitor terá de se contentar com pesquisas, discursos e promessas. E, talvez, seja recomendável manter o guarda-chuva aberto. Porque, até outubro, a única previsão realmente segura é de muita instabilidade.
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