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Cida Borghetti entra no radar de Moro, conforme Ricardo Barros
A sondagem, revelada por Ricardo Barros, abre uma disputa interna com o empresário Edson Vasconcelos e expõe os critérios que ainda limitam o protagonismo feminino
Cristina EstecheJornalista
3 min de leitura
Cida Borghetti (Foto: Jonas Oliveira/Agência Estadual de Notícias)
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As articulações para a sucessão no Paraná começam a ganhar contornos mais claros. E, novamente, uma mulher entra no radar para uma chapa majoritária. Depois de Fernanda Richa aparecer nas especulações como possível vice de Rafael Greca (MDB) e, mais tarde, de Requião Filho (PDT), agora a ex-governadora Cida Borghetti (PP) surge como opção para compor a chapa do senador Sergio Moro. A coincidência revela uma velha prática da política paranaense: as mulheres conquistam espaço, mas quase sempre para ocupar a vice.
Quem revelou a sondagem foi o deputado federal Ricardo Barros, esposo de Cida. Conforme informações, interlocutores ligados a Sergio Moro procuraram o PP para saber se Cida aceitaria disputar a vice-governadoria. Barros, esposo dela, fez questão de tornar pública a conversa durante a convenção estadual do Partido, nesta segunda (20).
O PESO DO PP
Na política, ninguém expõe uma sondagem sem objetivo. Ao colocar o assunto na mesa, Ricardo Barros aumenta o peso do PP nas negociações. Também lembra a Moro que alianças passam por partidos com estrutura, tempo de televisão e capilaridade eleitoral.
Mas a vaga, por ora, já tem dono. O líder empresarial Edson Vasconcelos continua forte no entorno do ex-juiz e representa uma alternativa que agrada ao núcleo mais próximo do também senador. Com bom trânsito entre empresários, Vasconcelos simboliza o discurso de gestão e eficiência que Moro tenta consolidar. A escolha, portanto, não envolve apenas nomes. Ela colocará frente a frente dois projetos de composição: um sustentado pela força partidária do PP e outro respaldado pelo empresariado que gravita em torno do ex-juiz.
CIDA TEM PERFORMANCE POLÍTICA
Cida Borghetti entra nessa disputa com um currículo difícil de ignorar. Governou o Paraná, exerceu o mandato de vice-governadora, passou pela Câmara dos Deputados e conhece como poucos o funcionamento da máquina pública. Ainda assim, ninguém a coloca hoje como candidata ao governo. O debate gira em torno da vice. A política paranaense continua reproduzindo um modelo em que mulheres experientes servem para ampliar alianças, enquanto os homens monopolizam a liderança das chapas.
E DAÍ?
Se a sondagem evoluir para um convite formal, Moro terá uma decisão política, e não apenas eleitoral, para tomar. Ao escolher Cida, fortalecerá uma aliança com o PP e com Ricardo Barros. Ao optar por Edson Vasconcelos, enviará um recado de que pretende manter o empresariado no centro do projeto. Em qualquer cenário, a disputa pela vice já deixou de ser um detalhe. Ela pode definir o equilíbrio de forças da principal chapa de oposição no Paraná.
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