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Curitiba vira vitrine da pré-campanha com atos de campos opostos
Bloco conservador-bolsonarista e campo progressista-popular ocupam a capital paranaense nesta semana em atos que testam público, narrativa e força para 2026
Cristina EstecheJornalista
3 min de leitura
Medindo forças (Foto: reprodução/ Freepik)
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Curitiba será ocupada, nesta semana, por dois projetos políticos que disputam mais do que agenda. Disputam presença, imagem e a sensação de força antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral.
O bloco conservador-bolsonarista faz ato na sexta (29) às 18h30, no Jockey Club do Paraná, no White Hall Eventos. O evento marca o lançamento das pré-candidaturas de Sergio Moro ao governo do Paraná, Deltan Dallagnol e Filipe Barros ao Senado, com presença de Flávio Bolsonaro.
No sábado (30), às 10h, será a vez do campo progressista-popular ocupar Curitiba. Requião Filho (PDT) lança a pré-candidatura ao governo do Paraná e Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado, no Igloo Super Hall. Assim, a capital vira palco de uma disputa direta por narrativa, público e fotografia política.
O QUE ESTÁ EM JOGO
O que está em jogo, porém, não é apenas quem reúne mais gente. Cada grupo tenta produzir a imagem que antecede o voto. Ou seja: salão cheio, militância mobilizada, palanque forte e vídeo pronto para circular nas redes. A pré-campanha virou também uma disputa por percepção.
No caso de Moro, Deltan, Filipe Barros e Flávio Bolsonaro, a cena junta duas marcas que já foram diferentes e hoje caminham por conveniência: o lavajatismo e o bolsonarismo. Moro precisa da força bolsonarista para sustentar o projeto no Paraná. Flávio, por sua vez, busca em Curitiba uma vitrine de credibilidade em um território onde a Lava Jato ainda tem peso simbólico.
Do outro lado, Requião Filho e Gleisi tentam reorganizar o campo popular em torno de temas como Estado, direitos sociais, soberania, serviço público e presença de Lula no Paraná. Mas o desafio é ir além da militância já convencida.
Para crescer, esse campo precisa falar com o Paraná real: interior, cidades médias, trabalhadores, agricultores, juventude, servidores, empresários locais e famílias preocupadas com renda, segurança e custo de vida. Sem isso, um evento grande pode virar apenas demonstração interna de força.
DUAS MÁQUINAS POLÍTICAS
A semana, portanto, não divide Curitiba apenas entre dois lados. Ela mostra duas máquinas políticas tentando organizar emoções, medos e expectativas antes da largada oficial.
Há ainda o limite jurídico. A Justiça Eleitoral permite apresentar pré-candidaturas e propostas, mas proíbe pedido explícito de voto na pré-campanha. Por isso, os discursos terão de equilibrar entusiasmo e cuidado.
No fim, a pergunta mais importante não será quem lotou mais o salão. Será quem conseguiu sair dele falando para fora da própria bolha. Política não se mede apenas por aplauso; mede-se pela capacidade de transformar presença em confiança.
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