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Foco no poder e estratégia
ELEIÇÕES

Foco no poder e estratégia

A escolha do sucessor não é mais sobre preferência, mas sobre quem tem o "antídoto" para segurar o Palácio em 2026

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
3 min de leitura

Ratinho Junior (Foto: Jonathan Campos/AEN)

O retorno do governador Ratinho Junior ao Palácio Iguaçu não é apenas o fim de uma licença. É o início de um "período de carência" política que termina em abril. Mas, enquanto a maioria foca em quem será o escolhido, a análise real precisa focar no como essa transição evitará o esvaziamento do poder. A saída de Ratinho Junior em abril para disputar o Senado (ou o Planalto) coloca o Paraná sob o comando de Darci Piana. Diferente de sucessões anteriores, Piana é o "fiador da estabilidade", mas não é o herdeiro eleitoral. O risco aqui não é administrativo, mas de autoridade. No momento em que Ratinho entregar as chaves, o centro de gravidade do poder se desloca. O "escolhido" precisará de uma musculatura que não dependa apenas do governado. Pois, a partir de abril, Ratinho será um candidato focado na própria campanha, e não mais o ordenador de despesas com a caneta na mão.

POR QUE A DEMORA DA ESCOLHA?

A dúvida entre Guto Silva e Alexandre Curi, com Rafael Greca correndo por fora, esconde uma estratégia de contenção. Vamos aos fatos: Guto Silva (Perfil "DNA): é a aposta técnica, o nome que o governador confia para manter o modelo de gestão. Porém, enfrenta o desafio da popularidade imediata fora da bolha política. Alexandre Curi ("Exército de Prefeitos"): Se Guto é o favorito do Palácio, Curi é o favorito da "planície". A força dele está na base aliada da ALEP. Escolher Curi é garantir a paz parlamentar, mas talvez abrir mão de um controle mais direto sobre o futuro governo.

O PONTO CEGO

A análise rasa diz que Ratinho escolherá quem está melhor nas pesquisas. A análise de bastidor sugere que ele escolherá quem melhor conseguir neutralizar o avanço de Sergio Moro. O ex-juiz hoje lidera as intenções de voto para o Governo do Estado. O "escolhido" não precisa apenas ser bom; ele precisa ser um antídoto ao "Morismo" no Paraná.

O SENADO COMO TRAMPOLIM

Diferente de outros ex-governadores que buscaram o Senado como uma "aposentadoria de luxo", Ratinho Junior olha para Brasília como uma plataforma de visibilidade nacional. Se sair em abril, ele entra no jogo de Gilberto Kassab para ser o "plano B" (ou até A) da direita moderada caso o cenário nacional se fragmente. A renúncia, portanto, não é um abandono do Paraná, mas uma exportação do "Modelo Paraná" para o resto do país.

O QUE OBSERVAR AGORA

Fique de olho na intensidade das agendas no interior. O nome que começar a aparecer mais vezes ao lado do governador em inaugurações de obras estruturantes a partir de agora é o nome que recebeu o "ok" silencioso. A política paranaense não é feita de anúncios bombásticos, mas de gestos milimetricamente calculados. Leia outras notícias no Portal RSN.
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