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Com o Move Samba à frente da mobilização, Guarapuava mantém o Carnaval vivo e o público não vai passar a festa popular em branco
Cristina EstecheJornalista
2 min de leitura
(Foto: Secom/Prefeitura de Guarapuava)
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Em Guarapuava, o Carnaval nunca foi só “agenda de festa”. Ele é, antes, um ato de insistência. Enquanto em algumas cidades a folia vem no automático, patrocinada, empacotada, garantida, aqui ela depende do que quase ninguém vê: sambista carregando o Carnaval nas costas. Gente que costura fantasia quando já era pra estar dormindo; que faz vaquinha, vende rifa, improvisa adereço, continua correndo atrás até na última hora, quando os tamborins já estão afinados e dão o tom para o começo da folia. Mas é a fé teimosa que fala mais alto, que corre e batalha. Mas a luta não é por luxo: é por não deixar a cidade virar um lugar onde a alegria precisa de autorização.
Porque deixar Guarapuava sem Carnaval não é “economizar”. É apagar memória, cortar laço comunitário, enfraquecer cultura popular. Aliás, sempre a primeira a ser tratada como dispensável. O argumento costuma vir bonito: “não é prioridade”. Mas prioridade pra quem? Pra quem não depende do trabalho do Carnaval, pra quem não encontra na 'avenida' um lugar de pertencimento, pra quem acha que cultura é decoração e não direito.
E aí entra a contradição: quando o Carnaval acontece, todo mundo quer foto. Quando ele falta, sobra silêncio. O sambista vira notícia só quando “dá problema”, quando pede apoio, quando reclama, quando insiste. Mas insistir é exatamente o que mantém a roda girando. Sem essa gente, a cidade perde não apenas um evento: perde um idioma. Porque o samba é uma forma de contar Guarapuava, com seus bairros, suas dores, suas vitórias pequenas, seu orgulho de existir.
No fundo, a pergunta que fica não é “vai ter Carnaval?”. É outra, mais incômoda: que cidade a gente quer ser? Uma que sustenta a cultura popular o ano inteiro, ou uma que só lembra dela quando dá audiência? Uma que entende o Carnaval como bagunça, ou uma que reconhece nele um motor de trabalho, identidade e comunidade?
Se Guarapuava ainda não ficou sem Carnaval, não foi por acaso. Foi porque teve e tem um movimento que move o samba, que não aceita o apagamento como destino. Que entende que a 'avenida', aqui, é mais que festa: é resistência com toque de tambor, com samba no pé.
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