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Quem fez da PF um dos pilares simbólicos da trajetória política precisa explicar por que, durante a única experiência no Executivo, a instituição enfraqueceu
Cristina EstecheJornalista
2 min de leitura
PF (Foto: Polícia Federal)
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A revelação feita pela 'Veja' sobre a redução no efetivo da Polícia Federal durante a passagem de Sérgio Moro pelo Ministério da Justiça merece leitura com atenção, mas também com cautela. O dado é politicamente relevante. Isso porque, entre janeiro de 2019 e abril de 2020, a PF perdeu 122 servidores ativos. Justamente sob o comando de um ministro cuja imagem pública sempre esteve ligada ao combate à corrupção e à valorização das instituições de investigação.
Mas transformar esse número, isoladamente, em prova de “desmonte” pode ser uma simplificação conveniente em ano eleitoral. A máquina pública não se move apenas pela vontade de um ministro. Concursos, aposentadorias, orçamento, autorização de vagas e decisões do governo federal como um todo influenciam diretamente o tamanho do efetivo de uma corporação como a Polícia Federal.
Ainda assim, no entanto, Moro não escapa da contradição política. Quem fez da PF um dos pilares simbólicos da trajetória política precisa explicar por que, durante a única experiência no Executivo, a instituição enfraqueceu em pessoal. A responsabilidade pode não ser exclusiva, mas o desgaste é inevitável para quem se apresenta como gestor da segurança pública.
POR ENQUANTO, NÃO HÁ RESPOSTAS
O ponto central, portanto, não é apenas acusar ou absolver Moro. É cobrar coerência de todos os que usam a segurança como bandeira eleitoral. No Brasil, candidatos costumam prometer fortalecimento das polícias, mas raramente explicam como vão ampliar efetivos. Ou garantir orçamento, modernizar estruturas e proteger a autonomia das instituições.
A matéria da Veja abre uma discussão maior do que a disputa pelo Paraná. Ela mostra que biografia, por si só, não basta. O eleitor tem o direito de exigir dados, resultados e explicações. No caso de Moro, a pergunta que fica é simples: a defesa da Polícia Federal foi acompanhada de gestão concreta ou permaneceu mais forte no discurso do que na prática? Com a resposta o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro. Mas será que ele responde ou mais uma vez o Paraná vai ficar sem resposta?
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