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Quando a política pune a voz das mulheres e tolera a gravidade dos homens
Os casos de Carol Dartora e Professora Terezinha expõem como o machismo político reage contra mulheres que denunciam violência e desigualdade
Cristina EstecheJornalista
2 min de leitura
Câmara de Vereadores de Guarapuava (Foto: Dircom)
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Há algo de jurássico, e ainda muito presente, na forma como parte da política reage quando mulheres deixam de pedir espaço e passam a confrontar o poder. Quando homens gritam, atacam e intimidam, isso costuma ser tratado como embate político. Quando mulheres elevam o tom para denunciar violência, desigualdade ou misoginia, passam a ser chamadas de agressivas, desequilibradas ou indecorosas. O problema deixa de ser o conteúdo da denúncia e passa a ser o fato de elas terem ousado fazê-la.
O caso da deputada federal Carol Dartora mostra isso de forma brutal. Alvo de ameaças de morte e estupro, em ataques racistas e misóginos, ela se tornou símbolo de uma violência que não é apenas pessoal, mas política. O objetivo é claro: intimidar, desgastar e empurrar mulheres para fora da vida pública. Quando essa mulher é negra, a violência ganha outra camada. Isso porque também reage à quebra de uma estrutura histórica que sempre tentou reservar o poder aos mesmos perfis.
EM GUARAPUAVA SE REPETE
Em Guarapuava, a lógica se repete. A vereadora Professora Terezinha virou alvo de pedido por quebra de decoro, lido na sessão desta segunda (16), após um discurso ácido contra o machismo e a violência contra a mulher. Contou com 10 assinaturas. Ao mesmo tempo, o caso do vereador Kenny do Cartório, trazido pelo vereador Leandro também na mesma sessão, expõe a lentidão e a cautela institucional diante de uma situação muito mais grave. O contraste é evidente: para enquadrar a fala dura de uma mulher, rapidez. Para enfrentar a permanência de um homem condenado, prudência.
Esse é o retrato da seletividade moral da política. O machismo já não aparece apenas de forma explícita; ele opera também pela inversão da narrativa. A mulher denuncia a violência e vira o problema. Reage à estrutura e passa a ser punida por isso. Por trás dessa reação está o medo de mulheres que não aceitam o papel da submissão. E toda vez que uma instituição corre para disciplinar a voz feminina, mas hesita diante da gravidade masculina, ela mostra que não está apenas mediando conflitos. Está escolhendo lado.
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