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Zema e Caiado passaram pela Globo deixando mais evasivas do que respostas e a impressão de candidaturas menores que a cadeira presidencial
Cristina EstecheJornalista
2 min de leitura
Zema e Caiado (Foto: reprodução/redes sociais)
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Há entrevistas que revelam candidatos. Outras fazem algo mais cruel: revelam o vazio. Zema (Novo) e Caiado (PSD) chegaram à Globo com currículo de governadores, discurso de experiência e pose de quem sabe administrar. Bastaram algumas perguntas para a embalagem abrir.
O problema não foi a ausência absoluta de ideias, mas a falta de densidade. Quando a conversa exigiu detalhes, números, escolhas e explicações sobre como transformar slogans em governo, vieram desvios, respostas incompletas e uma incômoda sensação de improviso.
Caiado chegou a reagir à cobrança como se uma sabatina presidencial fosse exigência excessiva. Mas é justamente isso que se espera de quem quer governar o Brasil: ser examinado, pressionado e obrigado a explicar o que fará, quanto custará e quem pagará a conta.
Zema, por sua vez, deixou que temas laterais e controvérsias ocupassem o espaço em que deveria apresentar uma visão de país. No fim, ficou a impressão de que governar um estado não transforma automaticamente ninguém em presidenciável.
E talvez esse seja o ponto mais duro das duas entrevistas: a desproporção. A cadeira presidencial parecia enorme. Os candidatos, pequenos dentro dela. Faltou projeto, faltou clareza e, principalmente, faltou a disposição elementar de responder exatamente ao que estava sendo perguntado.
Hoje, a expectativa muda de endereço. Renan Santos entra em cena trazendo a mercadoria política dele que é a ruptura. Ele chega como uma espécie de candidato do caos: alguém que transforma indignação, confronto e sensação de colapso em combustível eleitoral. Mas televisão ao vivo cobra algo que algoritmo nenhum consegue maquiar: conteúdo.
Depois de Zema e Caiado, Renan nem precisa fazer milagre. Basta ouvir a pergunta, responder a pergunta e mostrar que existe um projeto por trás da performance. Neste momento da campanha, isso já pareceria quase revolucionário.
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