Em um estado onde Flávio Bolsonaro (PL) conquistou 57,50% dos votos no primeiro turno, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) desembarcou em Curitiba nesta terça (20) com uma agenda que combinou articulação eleitoral, aproximação com empresários e defesa do diálogo institucional. A visita integra a mobilização pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a poucos dias do segundo turno, marcado para domingo (25).
A movimentação ocorre em um cenário político particular. O Paraná elegeu Sergio Moro (PL) governador no primeiro turno, enquanto a disputa presidencial divide lideranças que mantêm alianças em âmbito estadual. Questionado sobre uma eventual relação entre Lula e Moro, Alckmin afirmou que o governo federal respeitará os resultados eleitorais e manterá parcerias com estados e municípios, independentemente da posição política dos governantes.
Durante encontro com representantes do setor empresarial, Alckmin discutiu os impactos das tarifas comerciais dos Estados Unidos, a reforma tributária, as exportações e o potencial econômico do Paraná, especialmente na agroindústria. O vice-presidente também destacou o biodiesel e o etanol como setores com possibilidades de expansão. Na avaliação apresentada por ele, o estado possui condições de ampliar a participação na economia nacional e no comércio exterior.
A agenda econômica teve também uma dimensão eleitoral. Ao conversar com empresários, Alckmin buscou apresentar as políticas do governo Lula a um segmento com demandas próprias sobre tributação, competitividade e relações comerciais internacionais.
MOBILIZAÇÃO POLÍTICA
No Espaço Torres, no Jardim Botânico, o vice-presidente participou do encontro 'Paraná pela Virada', que reuniu deputados, lideranças partidárias, sindicatos, estudantes, movimentos sociais e apoiadores de Lula.
Entre os participantes estavam representantes de diferentes correntes políticas, numa articulação que procura ultrapassar os limites do eleitorado tradicional do PT. O presidente estadual do partido, Arilson Chiorato, e o diretor da Itaipu Binacional, Ênio Verri, participaram da mobilização.
A presença do senador Flávio Arns (PSB) e do ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT) evidencia uma articulação que ultrapassa o núcleo petista. Alckmin também comparou o governo Lula ao de Jair Bolsonaro e defendeu a união de setores políticos distintos contra a candidatura de Flávio Bolsonaro. O discurso evidencia a tentativa de construir uma frente mais ampla no segundo turno.
RELAÇÃO INSTITUCIONAL COM MORO
Ao defender o diálogo com Sergio Moro, Alckmin procurou separar a disputa presidencial das responsabilidades administrativas que terão continuidade após as eleições. A sinalização tem relevância para o Paraná, especialmente em áreas que exigem cooperação entre União e Estado, como infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento econômico.
Mas a disposição verbal para o diálogo não elimina as divergências políticas. Uma eventual convivência entre Lula e Moro exigirá negociações sobre prioridades, investimentos e projetos de interesse comum.
A agenda de Alckmin também incluiu um encontro com o arcebispo metropolitano de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo, ampliando os contatos institucionais durante a passagem pela capital.