A dor menstrual intensa, muitas vezes tratada como parte inevitável da vida das mulheres, pode indicar problemas de saúde que precisam de investigação. Para ampliar a conscientização sobre o tema, a deputada estadual Cristina Silvestri (PP) apresentou um projeto de lei que inclui a adenomiose na campanha permanente de enfrentamento à endometriose no Paraná.
O Projeto de Lei nº 734/2026 altera a Lei nº 21.890/2024 e propõe que a iniciativa passe a se chamar Campanha Permanente de Conscientização e Enfrentamento à Endometriose e à Adenomiose. A proposta tem coautoria da deputada Flávia Francischini (PL), responsável pela legislação original.
A adenomiose é uma condição caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio na camada muscular do útero. Pode provocar cólicas intensas, sangramento menstrual excessivo e dor pélvica, com impactos na qualidade de vida, nas atividades profissionais e nas relações sociais.
Um dos principais pontos da proposta é enfrentar a ideia de que dores menstruais incapacitantes devem ser consideradas normais. A naturalização desses sintomas pode atrasar a procura por atendimento e dificultar o diagnóstico de doenças ginecológicas.
“Um dos principais objetivos é combater a ideia de que dores menstruais incapacitantes devem ser consideradas normais. O diagnóstico da endometriose e o tratamento adequado podem reduzir os impactos à saúde, à vida social, aos estudos, ao trabalho e à fertilidade das mulheres".
Além da divulgação de informações sobre sintomas, o projeto incentiva a capacitação permanente de profissionais de saúde, o acolhimento humanizado e a integração dos serviços para garantir continuidade ao atendimento.
A proposta também prevê orientações sobre saúde sexual e reprodutiva, fertilidade e direitos das pacientes. Outro objetivo é estimular pesquisas e a produção de dados epidemiológicos que contribuam para identificar necessidades e desigualdades regionais no acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
ATENDIMENTO E INFORMAÇÃO
O texto prevê a participação de municípios, instituições de ensino, entidades profissionais e organizações de apoio às pacientes nas ações de conscientização, respeitando as competências administrativas e a disponibilidade de recursos.
As atividades poderão ganhar maior intensidade em março, especialmente na semana que inclui o dia 13, em sintonia com a Semana Nacional de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose. Apresentado em agosto, o projeto foi encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Antes de seguir para votação em plenário, deverá passar pelas etapas previstas de análise legislativa. A proposta se soma a outras iniciativas de autoria ou coautoria de Cristina Silvestri relacionadas à saúde feminina, entre elas medidas voltadas à dignidade menstrual, prevenção da pré-eclâmpsia, atenção à mulher no climatério e proteção dos direitos das pessoas com fibromialgia.